O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7% nos primeiros sete meses de 2026, para cerca de 539 mil propriedades, num novo sinal da profundidade da crise imobiliária que atravessa o país. Os imóveis foram colocados à venda por ordem judicial em 355 cidades e os preços alcançados caíram 9% em termos homólogos.
Os dados da China Index Academy, instituto de investigação especializado no mercado imobiliário chinês, mostram que 539 mil imóveis foram colocados em leilão judicial entre janeiro e julho.
A subida de 23,7% face ao mesmo período de 2025 ocorre num mercado que continua marcado por dificuldades financeiras das famílias, incumprimentos de crédito à habitação e queda dos preços dos imóveis.
Os leilões judiciais envolvem propriedades que foram apreendidas na sequência de processos relacionados, entre outros casos, com proprietários que deixaram de pagar os seus empréstimos.
Apenas um terço encontrou comprador
O aumento da oferta não está a ser acompanhado por uma procura equivalente. Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador. Os imóveis vendidos foram transacionados, em média, por cerca de 30% abaixo do preço de propriedades comparáveis no mercado de segunda mão.
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Em algumas cidades de menor dimensão, os descontos chegaram a atingir entre 50% e 60%. Noutros casos, não apareceu qualquer interessado.
A pressão sobre os preços acaba por ultrapassar o próprio mercado dos leilões, uma vez que os valores muito inferiores podem reforçar entre os compradores a expectativa de que os preços da habitação continuarão a cair.
Há, contudo, um indicador que aparentemente poderia sugerir uma recuperação: o número de transações de imóveis em leilão judicial aumentou 42,7% em termos homólogos nos primeiros sete meses do ano.
O aumento não significa necessariamente que os compradores estejam a regressar em força ao mercado imobiliário.
Segundo a análise citada pela imprensa chinesa, o crescimento das vendas estará sobretudo relacionado com a redução dos preços por parte dos vendedores para escoar o crescente número de imóveis acumulados, e não com uma recuperação significativa da confiança dos consumidores.