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Sam Hou Fai apresenta candidatura e plano de Governo

Sam Hou Fai, antigo presidente do Tribunal de Última Instância de Macau, oficializou a sua candidatura ao cargo de Chefe do Executivo. Numa conferência de imprensa em que pela primeira vez expressou os seus planos para a RAEM como candidato, Sam Hou Fai destacou como prioridades a continuação da diversificação económica, alinhamento com o desenvolvimento do país, e a aplicação do princípio 'Um País Dois Sistemas'

Nelson Moura

Numa conferência de imprensa realizada no Centro de Ciência de Macau, Sam Hou Fai revelou os membros da sua equipa de candidatura, com o deputado e Director-Geral Adjunto da Sucursal de Macau do Banco da China, Ip Sio Kai, nomeado líder de equipa, e Chan Ka Leong, membro do Conselho Executivo e Presidente da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) como vice-chefe do gabinete de campanha.

Na sua declaração inicial, Sam Hou Fai sublinhou a importância de uma implementação plena, correta e firme do princípio “Um País, Dois Sistemas”, que destacou como a chave para garantir a prosperidade e a estabilidade de Macau a longo prazo, numa altura em que a região enfrenta novos desafios e oportunidades.

O candidato prometeu que, se for eleito, implementará de forma “plena e precisa” a política “Um País, Dois Sistemas”, e defenderá fielmente o seu propósito fundamental conforme a Constituição da República Popular da China e a Lei Básica.

“Macau é uma pérola da Pátria, e o sucesso do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ tem sido evidente, graças ao apoio contínuo do país e ao esforço conjunto dos cidadãos”, afirmou. “Estamos prontos para escrever um novo capítulo de sucesso na aplicação do princípio”

“Quando a pátria prosperar, Macau florescerá ainda mais. Dado que o país propõe um aprofundamento abrangente das reformas, uma modernização ao estilo chinês e um grande projeto para o grande rejuvenescimento da nação chinesa, a construção de um país forte, o rejuvenescimento nacional, o futuro de Macau e a felicidade dos residentes estão intimamente ligados.”

O juiz referiu que a sua experiência de 40 anos na área judiciária, onde sempre “defendeu os valores do Estado de Direito”, o preparou para enfrentar as expectativas da população e os desafios de governação.

Sam – que ocupa a posição de Presidente do TUI desde 1999 – destacou que a sua profissão como magistrado exige que este mantivesse uma certa distância da sociedade, mas que isso não significa que “se tenha afastado da vida real” dos residentes.

O manifesto de Sam

Sam Hou Fai revelou os membros da sua equipa de candidatura, com o deputado e Director-Geral Adjunto da Sucursal de Macau do Banco da China, Ip Sio Kai (1.º a partir da direita), como líder de equipa, e Chan Ka Leong (1.º a partir da esquerda), membro do Conselho Executivo e Presidente da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) como vice-chefe do gabinete de campanha

O manifesto apresentado pela campanha do candidato apresenta uma visão de governação baseada em quatro pilares: “trabalhar com espírito empreendedor”, “avançar juntos”, “persistir no caminho certo” e “apostar na inovação”. Estas diretrizes visam consolidar a prosperidade de Macau, assegurar a segurança nacional e promover o desenvolvimento económico diversificado, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.

Sem apontar nomes para possíveis Secretários, Sam disse pretender criar uma equipa de governação “dinâmica e colaborativa”, aumentando continuamente a capacidade e o nível de governação.

“Devemos dedicar esforços para aproveitar as vantagens únicas de Macau, implementando medidas sólidas para desenvolver a área de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, alinhando-se proativamente e com precisão às estratégias nacionais, e criando um polo de atração para talentos de alta qualidade em Macau, tornando o “cartão de visita” da cidade ainda mais brilhante e contribuindo de forma mais significativa para a grande estratégia de desenvolvimento do país”, acrescentou.

O atual chefe do Executivo, Ho Iat Seng, anunciou na semana passada que não se vai candidatar a um novo mandato no cargo devido a problemas de saúde não especificados.

Ao longo da conferência, Sam Hou Fai enfatizou a importância de enfrentar os desafios económicos pós-pandemia, incluindo o apoio às pequenas e médias empresas e a promoção de uma economia diversificada. Referiu também que Macau deve continuar a alinhar-se com as estratégias nacionais da China, visando tornar-se um “centro de talentos internacionais” e fortalecer a sua posição como “metrópole internacional”.

Se eleito, Sam Hou Fai comprometeu-se também a elevar a eficiência da governação, reformar a Administração Pública e melhorar os serviços públicos, desenvolver as vantagens particulares de Macau, como a cooperação com Guangdong e o reforço da indústria de turismo e lazer.

Na sua única menção direta à indústria do jogo, Sam mencionou a necessidade de continuar os trabalhos de diversificação económica seguindo as direções do Governo Central de tornar a economia da cidade menos dependente do jogo.

“O desenvolvimento da indústria do jogo a certa altura tornou se desequilibrada e ocupou muitos recursos humanos da sociedade, afetou mentalidade das gerações mais jovens na procura de emprego, o que é desvantajoso. Dai que a diversificação seja tão importante”, apontou Sam.

A diversificação económica é uma questão obrigatória, é uma direção do governo central e a vontade da população”

O candidato afirmou que, com as profundas mudanças no ambiente interno e externo, o “desenvolvimento e a prosperidade de Macau ainda enfrentam muitos problemas e desafios” que vão desde à fuga de clientes das PMEs da cidade para o interior da China, a elementos macroeconómicos como as políticas monetárias dos EUA, e a situação económica geral da China.

Para Sam, o impacto da epidemia sobre a economia de Macau ainda não foi totalmente eliminado, subsistindo objetivamente os problemas de recuperação económica insuficiente e desequilibrada das pequenas e médias empresas e das zonas de vida da população.

“Estes fenómenos são resultados de uma série de factores, tais como a transferência do consumo dos cidadãos locais, a mudança do consumo dos visitantes de Macau, a estagnação da conjuntura externa, a alta taxa de juros dos capitais, etc., todos os quais são dificuldades para superar”, apontou o candidato.

“Eu e a minha equipa de candidatura vamos estudar profundamente como apoiar as pequenas e médias empresas na sua inovação, transformação e evolução, bem como activar a vitalidade da economia comunitária”, destacou

Futuro da comunidade portuguesa

Instado comentar sobre o futuro da comunidade portuguesa na RAEM, Sam sublinhou que nos últimos 25 anos, a comunidade macaense e os falantes de língua portuguesa têm “desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de Macau.

“Diversos membros dessa comunidade, especialmente na área jurídica, têm contribuído ativamente para a economia, educação e negócios da região,” apontou.

A RAEM tem demonstrado um reconhecimento especial à comunidade macaense e aos falantes de língua portuguesa, criando um ambiente propício para oportunidades de trabalho e qualidade de vida. Os macaenses, que possuem um profundo entendimento tanto da cultura chinesa quanto da ocidental portuguesa, são uma ponte cultural vital.”

Nascido em maio de 1962 em Zhongshan, na vizinha província chinesa de Guangdong, Sam completou a licenciatura em Direito pela Universidade de Pequim, tendo frequentado posteriormente os cursos de Direito e de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Coimbra.

O candidato acrescentou que presença global da comunidade de língua portuguesa também fortalece a posição de Macau no cenário internacional.

“É importante ressaltar que a Lei Básica de Macau garante os direitos da comunidade macaense, assegurando que a sua cultura e tradições sejam respeitadas. Essa legislação é considerada única em todo o mundo, refletindo o compromisso da região com a diversidade cultural”, acrescentou.

O juiz indicou estar a ponderar uma candidatura na passada semana pouco depois da não recandidatura de Ho Iat Seng ter sido revelada

A eleição do chefe do Executivo está marcada para 13 de outubro e as candidaturas podem ser apresentadas a partir de quinta-feira e até 12 de setembro.

O líder da região é eleito para um mandato de cinco anos pela Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, que integra 400 membros provenientes dos quatro setores da sociedade, sendo depois nomeado pelo Governo central chinês, conforme a Lei Básica, e a respetiva lei eleitoral.

O atual chefe do Executivo, Ho Iat Seng, anunciou na semana passada que não se vai candidatar a um novo mandato no cargo devido a problemas de saúde não especificados.

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