Crime organizado sai de Macau e espalha-se pela região

De acordo com um relatório da ONU, esta expansão do crime organizado acelerou depois da repressão imposta em Macau. O metaverso também está a ser alvo de exploração por parte destes grupos

por Gonçalo Lopes

Casinos e criptomoedas são cada vez mais utilizados por bancos clandestinos e esquemas de lavagem de dinheiro no Leste e Sudeste Asiático, alimentando o crime organizado na região. Esta é a conclusão de um relatório do Escritório das Nações Unidas para Drogras e Crime (Undoc), publicado no mês passado.

Esta tendência, segundo o relatório, começou em Macau, apontando que os operadores baseados na RAEM e os seus associados criminosos “tiveram um papel central no surgimento” desta rede.

As reformas de Pequim para combater a fuga de capital, corrupção e lavagem de dinheiro, trouxe uma nova realidade a Macau, bem como para o seu modelo operacional de jogo. As promotoras de jogo, empresas responsáveis por operar no segmento VIP, foram o grande alvo dessas reformas, que culminaram na prisão de grandes promotores, como Alvin Chau, do SunCity Group, e Levo Chan, da Tak Chun.

Atualmente, os promotes de jogo, ou junkets, só podem trabalhar com uma só concessionária e deixaram de poder operar salas VIP nos casinos. Tais medidas levaram a uma deslocação gradual de promotores e, também, de jogadores para outras partes da Ásia, nomeadamente Camboja, Tailândia, Vietname e Mianmar, conforme é indicado no relatório.

As empresas de promoção de jogo em Macau, ou junkets, passaram de 235 em 2014, para 36 em 2023. Apenas 12 estão atualmente em operação.

Metaverso

A análise do Unodc estima que, após esta descentralização e crescimento, mais de 340 casinos licenciados e não licenciados operavam no Sudeste Asiático no início de 2022, com a maioria a adotar uma operação online.

Segundo as investigações, diversos casinos já surgiram inclusive no metaverso, um tipo de mundo virtual que tenta simular a realidade através de dispositivos digitais.
Além disso, há indícios crescentes de grupos de crime organizado a mirar projetos empresariais relacionados com a indústria mais ampla de jogos online, e particularmente, jogos que usam blockchain.

O representante regional do Unodc para o Sudeste Asiático e o Pacífico, Jeremy Douglas, disse que “casinos e negócios relacionados, que movimentam alto volume de dinheiro, têm sido veículos para serviços bancários clandestinos e lavagem de dinheiro há anos, mas a explosão de plataformas de jogos de azar online sub-regulamentadas e corretoras de criptomoedas mudou o jogo”.

O responsável destacou que “a expansão da economia ilícita exigiu uma revolução impulsionada pela tecnologia nos bancos clandestinos para permitir transações anónimas mais rápidas, o que promove uma mistura de fundos e novas oportunidades de negócios para o crime organizado”.

Os casos examinados também destacam como os operadores de cassinos online ilegais diversificaram as linhas de negócios para incluir fraude cibernética e lavagem de criptomoedas.
De acordo com os últimos dados disponíveis, o mercado formal de jogos de azar online deve crescer para mais de 205 mil milhões de dólares amercianos até 2030, com a região da Ásia Pacífico a representar a maior fatia do crescimento desse mercado entre 2022 e 2026, com uma projeção de 37 por cento.

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