Ministro da defesa chinês apela a cooperação “mais estreita” com a Rússia

O ministro da Defesa chinês, Dong Jun, apelou hoje a uma cooperação “mais estreita” com a Rússia, durante uma videoconferência com o homólogo russo, Sergei Shoigu, numa altura em que os dois países tentam moldar uma nova ordem internacional.

por Nelson Moura
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No seu primeiro compromisso internacional, Dong Jun, que assumiu o cargo há um mês, “trocou pontos de vista sobre questões internacionais e regionais de interesse comum” com Sergei Shoigu, afirmou o ministério da Defesa da China, em comunicado.

Face aos desafios globais, as forças armadas chinesas e russas devem reforçar a confiança mútua e expandir a cooperação, visando “elevar as relações entre as duas forças armadas a um nível superior”, disse Dong, segundo a mesma nota.

O ministro russo disse esperar “uma cooperação mais estreita e frutuosa” com os parceiros chineses e que acredita que o seu diálogo com Dong vai “reforçar ainda mais a parceria estratégica russo-chinesa no domínio da Defesa”, segundo a agência russa Sputnik News.

Shoigu afirmou que Rússia e China estão a desenvolver uma “cooperação militar abrangente”, mas que “não têm como alvo nenhum país terceiro”.

“As relações militares russo-chinesas estão a desenvolver-se de forma constante em todas as direções. Realizamos regularmente atividades conjuntas de treino de combate naval, aéreo e terrestre e realizámos com êxito exercícios de combate com diferentes níveis de complexidade”, afirmou Shoigu.

Os ministros referiram que China e Rússia celebram este ano o 75.º aniversário das relações diplomáticas e saudaram a elevação dos laços ao melhor nível de sempre, sob a liderança dos presidentes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, respetivamente, referiu o comunicado chinês.

 (Photo by Pedro PARDO / AFP)

Nos últimos anos, Xi e Putin aproximaram-se face à crescente rivalidade dos dois países com o Ocidente. Ambos declararam uma “parceria sem limites” pouco antes de a Rússia invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022.

As duas forças armadas também intensificaram a cooperação de várias formas, incluindo exercícios conjuntos e intercâmbios de alta tecnologia. Mas Shoigu reiterou que não se trata de uma aliança militar formal. “Ao contrário de alguns países ocidentais, os nossos dois países não formam um bloco militar”, afirmou.

Esta foi a primeira aparição diplomática de Dong como ministro da Defesa. O antigo comandante da Marinha do Exército de Libertação Popular foi nomeado ministro a 29 de dezembro, depois de o cargo ter ficado vago durante mais de dois meses.

O seu antecessor, Li Shangfu, foi subitamente demitido em outubro sem qualquer explicação. Vários oficiais do Exército chinês foram afastados nos últimos meses, como parte de uma campanha anticorrupção.

Plataforma com Lusa

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