Início » Parlamento do Equador suspende debate sobre polémico acordo comercial com China

Parlamento do Equador suspende debate sobre polémico acordo comercial com China

O Parlamento do Equador suspendeu ontem o debate para ratificar o acordo comercial com a China assinado em maio e que preocupa vários setores da sociedade pelos efeitos económicos, ambientais e sociais que pode provocar.

O presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), Henry Kronfle, determinou a suspensão do debate para o acordo de comércio livre (ACL) com a China, após um intenso confronto entre deputados que apoiam a aprovação do pacto e aqueles que alertam para os possíveis efeitos negativos.

O deputado indígena César Umajinga indicou que vários grupos parlamentares solicitaram a suspensão do debate, defendendo que a proposta deve “continuar a ser trabalhada”.Umajinga lembrou que os mercados equatoriano e chinês “são diferentes”, já que o primeiro tem um volume de 17 milhões de consumidores, face aos 1,4 mil milhões de chineses.

Já a deputada Mónica Palacios garantiu que o Equador não poderia competir com a China, cuja produção é altamente subsidiada. “Temos que lutar pelas necessidades de todos os equatorianos que perderão os seus empregos com este tratado”, alertou.

A deputada Pamela Aguirre salientou, por sua vez, que o projeto não oferece todas as garantias de proteção ambiental, pelo que “será assinado às cegas”, enquanto Esther Cuesta mencionou as condições assimétricas do tratado.

Para o deputado Fausto Fernández o pacto com a China é favorável ao país e tem bases sólidas na regulamentação, destacando que o tratado estabelece uma “comissão de Livre Comércio, que será responsável pela administração e supervisão deste acordo”.

María Fernanda Jiménez mencionou, por exemplo, que o Equador exporta atualmente menos de 4% da sua oferta para a China e frisou que com o tratado esse índice poderá crescer para 8,4%. O Governo do Equador assinou o ALC com a China em 10 de maio, quando o conservador Guillermo Lasso ainda estava no cargo de Presidente, que deixou em 23 de novembro.

vários setores políticos, sociais e produtivos manifestaram desde então as suas preocupações sobre os efeitos do acordo, que abriu a possibilidade de as exportações chinesas prejudicarem a produção nacional.

O Equador tornou-se o quarto país da América Latina a assinar um acordo comercial com a China depois do Chile, Peru e Costa Rica, mas a legislatura anterior não conseguiu debater o acordo, pelo que a atual câmara tem o poder de ratificá-lo ou não.

Lasso, cujo mandato teve início em maio de 2021, saiu antecipadamente do poder, por ter invocado o mecanismo jurídico conhecido como “morte cruzada”, com o qual conseguiu dissolver a anterior Assembleia legislativa e, ao mesmo tempo, encurtar o seu mandato.

No dia 23 de novembro, Lasso deixou a Presidência para dar lugar ao jovem empresário Daniel Noboa, que herdou a crise de segurança e os problemas económicos deixados por Lasso.

O acordo comercial com a China abriu, para Lasso, uma oportunidade de catapultar o país para o bem-estar, graças ao intercâmbio que o acordo com a principal economia mundial implicou.

No entanto, vários setores políticos, sociais e produtivos manifestaram desde então as suas preocupações sobre os efeitos do acordo, que abriu a possibilidade de as exportações chinesas prejudicarem a produção nacional.

O país está atravessar uma escalada de violência protagonizada esta semana pelos grupos do crime organizado no Equador, que incluiu motins em prisões, ameaças contra universidades, instituições estatais e empresas, sequestros e atentados contra polícias, veículos incendiados, explosões e até um ataque armado a uma estação de televisão na cidade de Guayaquil.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website