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Promotores imobiliários reforçam oferta para estrangeiros

Dinheiro Vivo

Investidores mantêm a confiança no mercado residencial português, embora antecipem contração nas vendas e travagem na subida de preços.

Os promotores imobiliários estão a reforçar a sua aposta na oferta de produto residencial para estrangeiros. A promoção para internacionais abarca 27% das novas intenções de investimento, depois de ter estado em 7% no início de 2022, revela o Portuguese Investment Property Survey.

Com foco no mercado nacional, regista-se um peso de 27% nas intenções de promoção, e de 46% para clientes mistos, ou seja, nacionais e internacionais, adianta ainda o inquérito aos promotores, que tem caráter trimestral e é conduzido pela Confidencial Imobiliário e pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

Neste contexto de investimento, Lisboa é apontada como primeira localização em 46% dos casos (43% no trimestre anterior), depois de quase dois anos a perder peso no novo pipeline de promoção.

Os promotores mantêm a confiança no mercado residencial português, mesmo antecipando uma contração nas vendas e uma travagem na subida de preços nos próximos três meses.

Segundo o inquérito Portuguese Investment Property Survey, o número de investidores com novos projetos em pipeline aumentou para 74%, uma fatia semelhante à dos inquiridos que diz estar ativamente à procura de terrenos para novos desenvolvimentos. “Em qualquer dos casos, trata-se de um nível recorde em termos das intenções de investimento”, diz o documento.

Para estes agentes do mercado, a falta de procura é o último dos obstáculos à sua atividade. As dificuldades prendem-se com os tempos de licenciamento, os custos de construção e dos terrenos, e o fardo fiscal.

“É caso para refletirmos como, num contexto de perda de poder de compra das famílias e de forte aumento dos custos de construção, a grande preocupação dos promotores imobiliários continue a ser o tempo de licenciamento de obras e todo o ciclo burocrático”, diz Hugo Santos Ferreira, presidente da APPII, em comunicado.

Na sua opinião, é necessário “resolver esta questão, assim como a do forte fardo de impostos que recai sobre a construção e promoção, se queremos criar oferta habitacional acessível, pois estes dois fatores inviabilizam projetos e fazem aumentar o valor dos imóveis”.

Já Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, lembra que “a falta de oferta é o grande garrote no mercado”. Mas “os promotores antecipam, desde já, o que esperam vir a ser a normalização do mercado, após um período de maior impacto provocado pelo aumento da inflação e dos juros”, acrescenta.

Agora, segundo Ricardo Guimarães, “na ausência de medidas de reforma do mercado, essa oferta tende a refugiar-se em mercados de maior valo”.

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