Início » O novo tempo começa agora

O novo tempo começa agora

Paulo RegoPaulo Rego*

A decisão, repentina, de inverter a política de Covid-zero, era a única que a China poderia ter tomado, face às circunstâncias económicas, sociais e políticas que assolam o país. O vírus não mudou, nem fugiu…

O que mudou foi a visão política, que agora entende a urgência de aprender a viver com a pandemia, desistindo de prolongar a ilusão de que um dia o vento a levaria, num passe de mágica celestial. O risco de saúde pública, esse, mantém-se.

E todos os cuidados devem ser agora redobrados, sobretudo nos casos da terceira idade e dos sistemas imunitários fragilizados por outras doenças. Do ponto de vista dos cuidados preventivos – e paliativos – este ano será crucial, sobretudo para quem tem comorbidades ao nível do coração, pulmão, vias respiratórias, etc… Porque Macau esteve três anos numa bolha, sem desenvolver a imunidade comunitária, a população está agora duplamente exposta à inevitável transmissão acelerada do Covid-19 – e outras doenças.

O facto de estar mais de 90 por cento da população vacinada, pelo menos com uma dose, é positivo; mas não resolve. Todos devem tomar as doses ainda em falta; sendo responsabilidade do Estado, família e amigos, explicar a quem ainda não se vacinou que este é o momento em que deve fazê-lo.

O uso da máscara em locais com muito movimento, ou espaços fechados; mesmo não sendo obrigatório, continua a ser altamente recomendável. Sobretudo no caso dos mais idosos e com quem com eles conviva mais diretamente, para evitar a transmissão em casos de particular fragilidade. Por fim, espera-se que o Executivo reforce devidamente as condições de atendimento nos hospitais e centros de saúde.

Leia também: Baixa vacinação de idosos justifica política de casos-zero de covid-19 em Macau

E nesta fase é também crucial estabelecer linhas de apoio telefónico e online para que a população tenha um sentimento de segurança e cuidados certos no tempo certo.

Em troca deste risco, Macau segue a decisão da China – outra coisa não podia fazer – e abre um novo ciclo, há muito ansiado. Este é o momento de recordar as declarações do Chefe do Executivo, quando das comemorações dos 23 anos da Região Administrativa Especial:

“Com o relaxamento progressivo das restrições de circulação de pessoas, a assinatura dos contratos de concessão” de jogos em casino, e com “o desenvolvimento adequado e diversificado da economia” e “o firme apoio da grande Pátria”, Macau vai “ultrapassar as dificuldades e criar um novo cenário de desenvolvimento”.

Leia também: Governo de Macau diz que relaxamento da política ‘zero covid’ vai levar à normalidade

Agora, este é o dezembro que verdadeiramente conta. É o início de um ciclo novo, e Ho Iat Seng tem dois anos para provar o que vale; e o que valem as promessas que fez:

O Governo tem vindo “a promover proativamente várias indústrias”, como a de “big health”, a indústria financeira moderna, a indústria da tecnologia de ponta, as indústrias de convenções e exposições e comercial e as indústrias cultural e desportiva, tendo em vista o enriquecimento do conteúdo do Centro Mundial de Turismo e Lazer e a promoção ordenada do desenvolvimento adequado e diversificado da economia”, disse também este ano.

Não é bem assim… mas vai mesmo ter de ser.

E o tempo é agora.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website