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Sem escapatória

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Rumo à internacionalização, Hong Kong despede-se da quarentena e viabiliza uma estratégia que lhe permita abrir ao mundo. Uma mudança que, ao ser apoiada por Pequim, prediz um volte-face na atual política a nível nacional. Para finalizar este capítulo duro para a sustentabilidade socioeconómica do país, faz sentido começar pelas regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau.

As suas características únicas e a autonomia conferida pela política “Um País, Dois Sistemas” revelam-se decisivas num cenário de abertura, em que o seu estatuto garante maior facilidade na atração de investimento estrangeiro para o desenvolvimento da Grande Baía.

Mas enquanto Hong Kong começa a preparar-se para ser essa ponte, o destino de Macau é perigoso. O Chefe do Executivo já confirmou a permanência da quarentena e não alimenta a ideia de que a RAEM vai espelhar Hong Kong. Os objetivos do 2º Plano Quinquenal e de desenvolvimento de Hengqin até 2035 são reféns dessa reabertura, mas a intolerância ao vírus não permite real mudança e pode-se perder o ‘timing’.

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A verdade é que tal não é possível para já. O desenvolvimento socioeconómico local foi desenhado para se alimentar do Interior e daí apenas. O rápido crescimento toldou a cidade que, por gulodice, retirou a sua própria autonomia. Nos 20 anos que seguiram a liberalização do jogo, a cidade virou-se para o Continente e esqueceu-se do mundo lá fora. Foi preciso uma pandemia e um aperto de Pequim para se lembrar de que o plano não resulta e nunca foi o pretendido pela capital.

Porém, ser uma ferramenta para atrair investimento estrangeiro não é fácil. E Macau não tem aeroporto internacional e o mercado de trabalho não é qualificado para essa missão. Por outro lado, uma grande parte da mão de obra vive em Zhuhai e Macau continua a depender seriamente das receitas do jogo oriundas do Continente.

Não se pode esperar qualquer decisão que não acompanhe a política nacional, pois afastar-se do Interior é morte prematura. Mas esta autonomia tem um propósito – servir a China. Se revelar incapacidade para tal, a “formiga” da Grande Baía não tem grande utilidade para Pequim.

A relevância que se vaticina no poder central para Macau tem de ser conquistada e protegida, e até agora falhou.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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