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Estratégia da autonomia

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Pequim deu liberdade a Hong Kong para arquivar a política de casos zero dinâmica e definir os seus timings de reabertura ao mundo. A notícia foi primeiramente avançada pelo Post, e posteriormente confirmada por Huang Liquan, vice-diretor do Departamento dos Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado.

A Região Administrativa Especial de Hong Kong tem sido caso único na China, enquanto Macau optou desde o início confiar a Pequim o tamanho do próximo passo. Mas as medidas até agora introduzidas pelas RAE revelaram-se curtas para aquilo que são os seus objetivos a longo prazo.

O tempo de quarentena não muda vontades. O conceito repele interessados e os cuidados com o vírus dificultam e muito os processos. Este cadeado que enlaçou as RAE também já não interessa a Pequim, pois pretende que Hong Kong e Macau sejam as portas do investimento na Grande Baía.

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Esta alteração em Hong Kong demonstra que a autonomia existe, e que a política “Um País, Dois Sistemas” é para ser utilizada pelas regiões de forma inteligente, respeitando sempre a soberania, mas sem esquecer os seus contextos. Macau também terá de tomar uma posição.

De acordo com as declarações de Huang Liquan, a abertura das fronteiras internacionais não coloca em causa a relação com o Continente. Macau pode então dar as mãos a Hong Kong e beneficiar de mais um fluxo turístico. Mais ainda, para a aquisição de mercados estrangeiros e posterior diversificação económica precisa de um intermediário (infelizmente) e a região vizinha tem um aeroporto internacional.

Mas não parece que a mudança em Hong Kong seja dilatada para estes lados. Os olhos viram-se novamente para dentro, à espera de possíveis decisões que advenham do 20º Congresso do Partido Comunista, que está cada vez mais perto. Aí prevê-se uma discussão sobre a atual política de Covid-19 e a sua viabilidade para o resto do ano. Pode ser que o apoio que demonstraram a Hong Kong seja o presságio para uma reabertura a nível nacional.

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Porque se os interesses internacionais não ultrapassam as RAE, os interesses de Pequim não estão a ser materializados. Esquecendo os acordos com o Reino Unido e Portugal, o grande interesse em ter regiões administrativas especiais é a capa- cidade que estas têm de alimentar a Grande Baía.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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