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Cinismo serve o soft-power

Paulo RegoPaulo Rego*

O pior erro que se pode cometer, no contexto da nova ordem mundial, é confundir o cinismo útil com que se gere a paz no Estreito de Taiwan, com a demência da invasão russa na Ucrânia. Uma coisa nada tem a ver com a outra.

E a narrativa do papão chinês invasor não tem qualquer colagem à realidade. Seja qual for o conflito ideológico, o interesse económico, a estratégia militar em causa… esta é a altura de manter o cinismo e ter juízo.

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Taiwan é o caso mais atípico da diplomacia moderna. De facto, ergueu todos os pilares da soberania: regime político, coesão territorial, exército e moeda própria. Qualquer compêndio de ciência política dirá que é um país independente.

Em troca, a China exige duas coisas: que toda a gente finja que não é assim, mantendo a narrativa de que há uma só China, alimentando no discurso interno o sonho da reunificação. Este pacto tem garantido a paz, bem como a prosperidade em ambos os lados do Estreito… É o que há.

Mexer nisto, no atual contexto internacional, é completamente estúpido e irresponsável. Não é uma questão moral ou ideológica, nem impede que pensemos que um dia pode ser diferente. O que é preciso é retirar a lógica bélica da equação. Sejamos claros. Putin é o que é, não tem defesa e merece combate. Mas tem razão quando diz que os Estados Unidos querem dominar a Ásia-Pacífico.

Claro que quer. e o adversário é a China. Agora… armar Taiwan até aos dentes, ameaçar com intervenção militar se a China invadir, fazer visitas de estado provocatórias… é aproveitar o ódio a Putin para tentar meter tudo no mesmo saco. Não é verdade, e é tudo menos sensato.

A China reage como sempre: se declararem a independência invade.

Nada de novo debaixo do céu.Washington tem de perceber o momento e a prioridade: o que agora é preciso é ter o apoio de Xi Jinping para pôr Putin na ordem.

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Permitindo-lhe, depois do Congresso do PC, uma narrativa para discurso interno que mantenha a lógica do soft power. Os povos, todos eles, merecem líderes que sirvam a paz e a prosperidade.

Medir o tamanho da pistola, no contexto atual, é a pior ideia do mundo.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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