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Governo de maioria absoluta depois de eleições de 2023 é melhor solução – PR timorense

António Sampaio

O Presidente de Timor-Leste disse hoje que uma maioria absoluta, saída das legislativas de maio próximo, seria a melhor solução para o país, permitindo ao partido vencedor abrir “uma parceria” com as restantes forças parlamentares

“Prevejo e prefiro o seguinte cenário: que quem ganhe em maio de 2023 ganhe com maioria absoluta e ganhando com maioria absoluta abra as portas, porque tem autoridade para o fazer, para propor aos partidos com assento parlamentar um pacto de parceria”, afirmou José Ramos-Horta, em entrevista à Lusa.

O chefe de Estado antecipou, para depois do voto – cuja data deverá marcar no início do ano –, a presença de menos partidos no parlamento, e desafiou os que lá estarão a um pacto que permita “resolver as cinco ou dez questões prioritárias que devem ser enfrentadas com muita inteligência e forma decisiva”.

A maioria absoluta no Parlamento timorense implica conseguir 33 dos 65 lugares e que os dois maiores partidos, Fretilin [Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente] e CNRT [Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste], têm atualmente respetivamente 23 e 22 lugares.

Questionado sobre se é matematicamente expectável chegar à maioria absoluta, Ramos-Horta disse que “é possível”, apontando a “atmosfera atual no país” que “pode levar a que o eleitorado não desperdice votos em vários partidos”.

“Alguns serão punidos, provavelmente, pelos seus comportamentos nestes anos e podem perder cadeiras, com os eleitores a irem para um dos maiores partidos do país. Vai ser muito difícil para os partidos pequenos subirem de votos”, afirmou.

“O que deteto nestes dois a três anos é uma insatisfação em relação à proliferação de partidos no parlamento que leva a que os partidos grandes tenham que estar a fazer concessões e não em termos de programa, mas em termos de cadeiras e pastas”, afirmou.

Essa realidade tem complicado a governação, “com mini pastas ministeriais, com maior impacto negativo na governação”, disse.

“Tem que se dar lugar de ministro a um partido, depois de vice-ministro a outro, depois inventam-se Secretarias de Estado para dar lugar a outro partido e cada um traz os seus elementos para dentro do Ministério. É complicado”, afirmou.

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