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Abrir e fechar ao mesmo tempo

O Zhen He, ícone da globalização chinesa, chegou no século XIV à Índia, ao Mar Vermelho e a Moçambique. São pouco consensuais os lados ao gigantismo das naves chinesas, ou às tecnologia militar e de navegação na altura. Mas é muito claro que o almirante representa a curiosidade, ambição e conquista…

Do outro lado da barricada, conselheiros da corte convenceram o imperador de que era preciso acabar com a expansão, poupar recursos, focar energias no controlo das tensões internas. Preferiram o isolamento à globalização. Esta dicotomia é permanente na China. E a questão volta a colocar-se no contexto da pandemia.

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O ocidente percebe mal esta capacidade de isolamento chinês. Bem como a flexibilidade estratégica de um império económico, cultural e militar, hoje em dia cimentado à escala global. É hoje pouco claro qual é o pensamento que domina o Politburo comunista.

Deng Xiaoping visionou uma abertura que em poucas décadas mudou radicalmente o PIB per capita, mas também o papel da China na nova ordem mundial. Contudo, o pensamento chinês é mais complexo e profundo, e há muitas circunstâncias antes e depois do socialismo com características chinesas…

Do ponto de vista da eternização do poder, o inimigo externo até pode dar jeito, e o foco no consumo interno tem hoje uma alavanca que antes não tinha: a expansão económica nas últimas décadas garante a Pequim relações diretas com uma infinidade de interesses e geografias que estão tão dependentes da China que o isolamento será sempre mitigado.

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Por maior que seja a pressão americana, nem mesmo a Europa está disponível para virar costas a oriente..

Adivinha-se um sistema misto, em que a China se fecha sobre si própria, naquilo que entende ser para si benéfico, mantendo contudo uma vasta política de alianças e de relações económicas, nos quatro cantos do mundo.Washington não gosta e pressiona, cometendo erros de análise e com falta de perspetiva histórica – a maior fraqueza norte-americana.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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