Depois do início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o ocidente iniciou de imediato sanções económicas coletivas sobre o país liderado por Vladimir Putin. Contudo, nunca teve coragem suficiente de atingir as energias russas. Trata-se de uma questão de vida ou de morte, tal como explica a Secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Um bloqueio energético à Rússia não é uma possibilidade realista e deve ser evitada uma interdição total sobre o país, mas os EUA e os seus aliados continuam a tentar reduzir ao máximo os benefícios russos neste comércio.
Os argumentos de Yellen são os seguintes: em primeiro lugar, na eventualidade de um ataque nesta área, a Rússia irá virar-se para a Ásia, possibilitando que mercados emergentes asiáticos possam beneficiar com o excesso energético causado pelo embargo do ocidente. Em segundo lugar, um desequilíbrio adicional na distribuição energética global causará uma subida nos preços das energias, o que poderá beneficiar ainda mais a Rússia. Em terceiro lugar, a Europa não será capaz de abandonar a sua dependência das energias russas a curto prazo, a sua relação de dependência mútua irá manter-se por um longo período de tempo.
Os EUA provocaram este conflito entre a Rússia e a Ucrânia, levaram os seus aliados europeus a imporem sanções sobre o país e agora estão a tentar recuar, afirmando não serem capazes de cortar toda a área energética russa. É de consenso geral que os Estados Unidos estão a tentar abrandar estas decisões para evitar problemas para o seu lado com uma Rússia desperta. Atualmente o índice de preços ao consumidor dos EUA atingiu um novo recorde, com uma taxa de inflação de 7,9% a representar um grande fardo para a sociedade americana. Inflação alta e crescente desemprego deixam o seu impacto na comunidade e com a taxa de satisfação de Biden a descer, é do maior interesse do país equilibrar a relação entre a Rússia e a Europa.
A rápida decisão russa de se virar para a Ásia e tentar desvalorizar o dólar veio ainda afetar significativamente o petrodólar, algo que os EUA não ficam felizes por ver, ou seja, é do interesse de Washington que a Rússia e a Europa se ataquem mutuamente para que a Rússia os ignore e a Casa Branca mantenha os seus aliados europeus sob controlo.
Mesmo em comparação com a Rússia, a China continua a ser o principal adversário do governo americano, por isso os EUA não querem direcionar muita energia e recursos para a Europa. O país está à espera que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia acalme ligeiramente para criar mais obstáculos à China. Serão usadas as cartas “Mar do Sul da China” e “Taiwan”, por isso as autoridades de Pequim devem preparar-se. Se o ocidente pode fazer o que faz hoje à Rússia, nada nos garante que amanhã não fará o mesmo com a China.