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Rússia exige à Europa rublos para pagar gás natural

Vladimir Putin anunciou, durante uma videoconferência a 23 de março, que o rublo iria substituir o dólar americano e o euro no comércio do gás natural com certos países. Segundo o Presidente da Rússia, os Estados Unidos da América e a União Europeia incumpriram com as suas obrigações quando congelaram as reservas russas. Para Putin, não faz sentido à Rússia fornecer bens à UE e aos EUA e depois receber em troca dólares ou euros. O rublo ficou mais forte e os preços da energia europeia subiram, após o anúncio do líder do Kremlin. 

Valentina Matviyenko, Presidente do Conselho da Federação Russa, salientou que o congelamento das reservas de ouro e divisas da Rússia por parte do Ocidente foi “o maior crime económico da história da humanidade”. Já o Presidente da Duma Federal, Vyacheslav Volodin, considera a rejeição do dólar e do euro uma decisão histórica para preservar a soberania financeira e económica, bem como um passo importante para a “des-dolarização” da economia russa. 

Assumindo ser difícil recusar o gás natural no velho continente, a Rússia pode agora exercer alguma pressão perante os países europeus. 

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A Rússia forneceu cerca de 45 por cento do total das importações de gás natural da UE em 2021 e Moscovo, inteligentemente, obrigou os europeus a escolher entre estas novas regras e um corte nas válvulas do gás natural, segundo afirmou um jornal russo. 

A exigência de Putin, do seu país ser pago em rublos pela energia fornecida, foi rejeitada pelos ministros da energia dos G7, que se reuniram recentemente numa conferência. O Grupo dos Sete afirmou que a decisão era “unilateral e uma clara violação dos acordos existentes”, visto que os contratos ainda estão em vigor. A Rússia está a adotar uma linha mais dura como resposta, sublinhado que a rejeição europeia das exigências do Kremlin quanto ao câmbio usado “levaria, certamente, à cessação do fornecimento do gás natural”. 

Esta atitude da Rússia pode vir a ter consequências geopolíticas: quando todas as partes estão a avançar em direção a qualquer tipo de compromisso, é lógico que tentem aumentar a parada e acabem por reforçar as suas posições negociais na véspera de se chegar a um acordo. 

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Ao fazê-lo, a Rússia está a tentar ‘reformatar’ não só a geopolítica mundial, mas também os seus sistemas financeiros e económicos. 

No entanto, a decisão da Rússia é também suscetível de acelerar os esforços da Europa, no sentido de reduzir a sua dependência energética. Assim, pode-se verificar um aumento na cooperação energética com outros países, nomeadamente com o gás natural liquefeito (LNG) proveniente dos EUA e de outros países 

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