Thamirys Nunes, 32, tornou-se mãe de Bento em 1° de fevereiro de 2015. Quatro anos depois, viu nascer Agatha, como a criança trans passou a se identificar a partir de junho de 2019, com suporte dos pais e de uma psicóloga.
O processo de transição de gênero na primeira infância foi doloroso para a família radicada em Curitiba. Tudo era novidade para os pais, uma comunicóloga e um arquiteto que se confrontaram com falta de informação sobre crianças LGBTQIA+ e excesso de preconceitos.
A experiência é narrada no livro “Minha Criança Trans” (256 págs., R$ 45), lançado em junho de 2020, e também em posts no perfil de mesmo nome no Instagram com 47 mil seguidores. Espaços de questionamentos, dicas e relatos de discriminação vivenciados no ambiente familiar, escolar e social.
Nessa jornada, Thamirys se tornou coordenadora da Área de Proteção e Acolhimento a Crianças, Adolescentes e Famílias da Aliança Nacional LGBTI+.
A seguir o depoimento da mãe e ativista sobre conquistas como a certidão de nascimento com retificação de nome e gênero obtida em agosto de 2021.
“Aos 2 anos, Bento apresentava desconforto ao colocar roupas masculinas ou quando ganhava carrinhos de brinquedo.
Aos 3, ele já verbalizava que queria brincar de boneca: ‘Mamãe, se eu tivesse nascido menina era mais legal’.
No aniversário, pediu uma Batgirl. Ganhou o Batman, mas fez um vestido de massinha para o boneco: ´Mãe, fiz a minha Batgirl’. Depois, pediu uma bicicleta da Barbie.
Quando ele começou a apresentar essas preferências, ficamos perdidos. Procuramos uma psicóloga que disse que nós não sabíamos educar um filho homem. Essa profissional recomendou que tirássemos do universo dele tudo que era feminino e reforçasse o masculino.
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