O Inverno em Macau - Plataforma Media

O Inverno em Macau

Guilherme Rego

Aproxima-se o Ano Novo Chinês, uma das alturas mais movimentadas na China e, por conseguinte, em Macau. A Semana Dourada terá lugar entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro e, talvez pelo contexto atual de pandemia, a expetativa local cresce à medida que esta se aproxima, esperando que em nada seja parecida com a que lhe antecedeu em outubro

Para a população, pequenos e médios negócios, hotéis e indústria do jogo, por aqui se começa a revitalização, ou inicia-se novo ano de amarguras. A ansiedade tem argumentos, porque o famoso fluxo migratório chinês – típico nesta altura do ano – pode muito bem bater com o nariz na porta.

Leia mais sobre o assunto: Futuro de Macau passa por “uma ligação forte” entre turismo, cultura e entretenimento

A Ómicron já se introduziu a Zhuhai e, naturalmente, esse fenómeno teve repercussões imediatas em Macau, com mais de seis mil pessoas na cidade com código amarelo, sendo que mais de mil estão em isolamento ou sujeitas a dois testes de ácido nucleico a cada três dias.

Mas a chave-mestre das fronteiras está em Pequim, que também enfrenta as ramificações do vírus desde 15 de janeiro. A capital chinesa é pressionada com uma enorme incerteza, na medida em que tem de combater a propagação do vírus e ser fiel à política de casos zero, ao mesmo tempo que se prepara para ser anfitrião dos Jogos Olímpicos de Inverno, recebendo atletas de mais de 90 países entre 4 a 20 de fevereiro.

Leia também: Pequim descarta confinamento durante Jogos Olímpicos de Inverno

Por essa mesma razão, será interessante ver que medidas serão implementadas enquanto se faz a contagem decrescente, numa altura em que se prevê que a movimentação no país durante o Ano Novo Chinês cresça 30 por cento em comparação com 2021.

Na semana passada, várias cidades chinesas impuseram bloqueios ou restrições nas deslocações, Macau inclusive. Pequim, entretanto, também reforçou os mecanismos à entrada da capital, mas será que fica por aí?

A próxima semana determinará como começa o ano em Macau, onde já se sabe que o Orçamento para 2022 parte do pressuposto que não pode haver casos de Covid-19 no território; que surtos na vizinhança não comprometem a entrada de turistas e que as políticas centrais beneficiem a reabertura gradual.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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