Ecológicos e românticos - Plataforma Media

Ecológicos e românticos

O casamento é um evento altamente importante na vida de qualquer pessoa. É muita a energia dedicada para tornar este marco numa cerimónia inesquecível. Todavia, muitas vezes cria-se este ambiente romântico a partir de materiais descartáveis. A responsável pela Forever Green Wedding Planner deseja que se abandone o conceito pouco sustentável de um evento de grandes dimensões, abraçando a ideia de cerimónias mais ecológicas com um traço romântico.    

Daisy Fong, diretora-geral da Forever Green Wedding Planner

“Não gosto de ver jovens gastar imenso dinheiro em produtos descartáveis para o seu casamento”, começa por referir Daisy Fong, diretora-geral desta empresa “verde”. Além das razões ambientais, a “vontade de mudar os hábitos de consumo da população” culmina nesta iniciativa de casamento sustentável. A responsável refere ao PLATAFORMA que o mercado atual transformou parte dos casamentos em grandes eventos. Porém, Daisy Fong não deixa de querer ajudar casais a minimizar o desperdício durante o planeamento para o dia especial.    

Leia mais sobre o assunto: Resíduos e energia elevados durante a pandemia

Criada em abril deste ano, a empresa inicialmente procurou promover o uso de materiais biodegradáveis e de poluição reduzida, como sacos de bambu e linho. Só depois começou a alargar o seu serviço ao planeamento e decoração de eventos. “No que diz respeito à decoração, tentamos fazê-la da forma mais amiga do ambiente possível. Por vezes, rejeito clientes com pedidos demasiado poluentes, mesmo que estejam dispostos a pagar grandes quantias”.  

 Contrariamente ao que imaginava, vários casais estão dispostos a seguir o conceito de um casamento sustentável

daisy fong

A responsável relembra que o conceito de um casamento ecológico não é uma novidade. Desde 2003 que trabalha como agente de viagens para sessões fotográficas em luas-de-mel, chegando a ter o seu próprio serviço de fotografias de casamento em Macau, que também inclui o aluguer de vestidos e outros produtos. Na cidade, muitas pessoas escolhem organizar casamentos seguindo o estilo chinês, com tradições como o guarda-chuva vermelho na “saída de casa da mulher”, “chegada a casa do marido” e “cerimónia do chá”. A cerimónia usa conjuntos de chá especiais, doces oferecidos aos convidados e almofadas para a vénia aos pais.  

Leia também: A distância entre Macau e o “Acordo de Paris”

A empresa tem pouco tempo de vida, dependendo de um marketing feito entre amigos. Contudo, como diz o provérbio, “bom vinho não precisa de publicidade”. “Não esperava ter clientes tão cedo. Apareceram imensas caras familiares à procura de ajuda para os seus casamentos, e, contrariamente ao que imaginava, vários casais estavam dispostos a seguir o conceito de um casamento sustentável. Sem ainda ter começado, já estava com a agenda completamente cheia para o ano seguinte”, disse a mesma responsável ao PLATAFORMA.   

Caixa de bambu  para guardar chocolates como lembrança

“Expliquei aos meus clientes que não lhes conseguia oferecer um casamento igual ao de outras empresas, mas que ia procurar materiais decorativos conforme o orçamento disponível”. Recentemente, um casal mostrou interesse em organizar uma cerimónia numa igreja e num salão, com um orçamento de 20 mil patacas para cada. Daisy Fong começou por decorar a igreja com arranjos florais, usando mais tarde as mesmas flores com uma disposição diferente. “Nunca julgo o orçamento dos meus clientes ou faço estas decisões porque não têm dinheiro para pagar mais. Simplesmente, não os quero ver desperdiçar dinheiro”, garante.   

“Queremos que os casamentos façam os clientes sentirem-se em casa. Ter o espírito de uma festa familiar, em que após a cerimónia, tanto os convidados como o casal, possam levar os ornamentos como lembrança”, especificou.   

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De momento, a empresa não irá aceitar grandes cerimónias. A diretora esclarece que para grandes eventos é impossível usar apenas flores frescas para decoração ou reutilizá-las. “Prefiro perder um cliente do que desperdiçar tantos materiais com as minhas próprias mãos”.  

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