Agência dos EUA para o Desenvolvimento pede reforço do poder africano

Agência dos EUA para o Desenvolvimento pede reforço do poder africano

Um dos responsáveis pelas relações com África na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), defendeu hoje que os investimentos norte-americanos pretendem reforçar agências africanas no sentido da auto-governação, contrariamente às intenções da China

Travis Adkins, vice-administrador adjunto do Gabinete para África da USAID, defendeu na quinta-feira que a administração do Presidente Joe Biden pretende promover uma “mudança de atitudes” internacionais com África, ajudando as nações a tornarem-se chefes dos seus destinos.

“Colocamos prioridade em fazer investimentos nas capacidades das populações africanas para expandir as suas próprias agências de desenvolvimento e ditar nos seus afazeres, o que é muito diferente do modelo chinês”, rematou o responsável, com uma crítica ao maior adversário económico dos EUA.

As declarações foram feitas em Washington, numa conferência da Carnegie Endowment for International Peace, intitulada “Responder às prioridades africanas nas relações EUA-África”.

Travis Adkins referiu ainda que África já não pode ser vista só como “um lugar para tomar em conta em competição internacional” e descreveu a USAID como uma agência apoia crescimento e desenvolvimento local em África, ao contrário da dependência de ajuda externa.

“Penso ser da essência da administração Biden não olhar para África simplesmente como um lugar para dar assistência e auxílio, mas ver as nações como parceiros (…) e como iguais”, defendeu Adkins, promovendo a aposta dos EUA na “mudança de atitude” com nações africanas.

No contexto da pandemia de covid-19, Travis Adkins, antigo diretor de pessoal no subcomité para África na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em Washington, disse que a grande preocupação da USAID é, além de apoiar países a prevenir contágios do vírus SARS-CoV-2, prever os impactos de longa duração e longo prazo nas economias, sociedades e meios de subsistência.

O especialista frisou a importância da confiança dos cidadãos nos seus governos: “A confiança do cidadão, na era da pandemia, tanto pode criar um conjunto de políticas e procedimentos que salvam vidas como deixar-nos continuamente atormentados”.

Antigo professor universitário de Estudos Africanos e de Segurança, Travis Adkins advertiu ainda as democracias têm de ser fortes e têm de concretizar as promessas de uma vida melhor para as suas populações para serem sustentáveis.

“Existem muitas nações que se autodenominam de democracias, mas que não são representativas da população, com eleições e com ‘decorações de montra’ parecidas à governação democrática, mas não tendo a prestação de contas e transparência com os cidadãos”, declarou o vice-administrador adjunto do Gabinete para África da USAID.

Adkins argumentou ainda que quando a população se torna descontente com a faceta demonstrada pela democracia no seu países, isso causa revolta e também uma aversão à democracia.

Um estudo da rede de sondagens Afrobarometer, apresentado na quinta-feira pelo diretor-executivo Joseph Asunka na mesma conferência, concluiu que um terço da população africana vê o modelo de americano como o melhor modelo de desenvolvimento e que 22% têm a essa opinião sobre o modelo apresentado pela China.

A influência dos EUA e China são vistas como positivas de uma forma geral no continente africnao, o que indica que as crenças sociais sobre estes dois países “não vão necessariamente em direções opostas, mas movem-se juntas para a mesma direção, nos olhos do público africano”, salientou Joseph Asunka.

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