Kevin Ho, acionista do DN, é o pivot que lá atrás junta os jornais; e agora une esforços entre a Associação Sino‑Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau e o Instituto Cultural de Macau, que organiza a exposição à margem da visita do Chefe do Executivo.
Nos andares abaixo, Sam Hou Fai inaugura a exposição principal: “Os Êxitos de Um País, Dois Sistemas”. Entre a paralela, hora e meia antes; e a formal, em modo de espera, a delegação de Macau junta-se à volta dos retratos de cultura chinesa.
Chegam uns vindos de um hotel, outros vindos de outro; há quem venha direto do aeroporto; todos mais ao menos à hora: protocolo, empresários, governantes e amigos; uns porque vêm na comitiva; outros porque, estando em Portugal, aproveitam para aparecer; ver colegas e amigos, ouvir dizer coisas. Uns matam saudades, outros ganham contatos; muitos tiram fotos.
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Há uma instalação que nos prende ao centro da sala; background que pedem todas as selfies. Sara Neves, curadora, sente o impacto: “A exposição foi desenhada especificamente para o espaço do 4.º andar do Centro Científico e Cultural de Macau; em duas partes que dialogam entre si: no centro da sala, iluminada pela luz de Lisboa que entra pela claraboia, a instalação inspirada no processo tradicional de impressão de jornais, mostrando várias edições dispostas sobre tecido.
A materialidade evoca os laços históricos e culturais entre a China e o resto do mundo; desde as sedas que cruzam a Rota da Seda às velas dos navios portugueses que aportam em Macau”.

Jorge Neto Valente, presidente da associação que projeta o evento, assegura o discurso formal: “A colaboração entre os órgãos de comunicação social da China e de Portugal demonstra de forma clara a importância do intercâmbio entre civilizações.
É através deste diálogo que promovemos maior compreensão, respeito mútuo e enriquecimento cultural entre os nossos povos”. Mas também dá uma nota pessoal: “Como macaense, sinto um profundo orgulho no que Macau se tornou; uma cidade histórica e cultural de referência mundial, onde tradições orientais e ocidentais convivem de forma única e harmoniosa”.
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O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, corta a fita ao lado da presidente do Instituto Cultural de Macau; e a sala perde audiência. Ficam os últimos à conversa, os outros descem ao pátio; onde a dança do dragão anuncia o Chefe do Executivo.

A segunda parte da exposição, completa Sara Neves, “propõe um percurso por curiosidades extraídas das edições especiais do Diário de Notícias, em diálogo com a vista para o rio Tejo.
O conceito tem por base os antigos Curiosity Cabinets, da Europa renascentista; e apresenta um conjunto de factos e imagens da China organizado em seis categorias: festivais, figuras históricas e tradições; lugares, paisagem e arquitetura; arte, artesanato e património imaterial; gastronomia, sabores e culinária”. Está explicado.