A lição do Apple Daily

A lição do Apple Daily

Esta quinta-feira, após 26 anos de história desde o lançamento em 1995, marca a última publicação do jornal de Hong Kong Apple Daily, obrigado a encerrar depois de os ativos terem sido congelados por violações da Lei de Segurança Nacional na região administrativa especial. 

Para alunos de comunicação, o Apple Daily era muitas vezes usado como exemplo no ensino, e outras vezes até como modelo sobre o que não fazer. Lembro-me de no meu primeiro ano de faculdade, durante uma aula de jornalismo, o professor utilizar dois órgãos de comunicação social como exemplo, e um deles era o Apple Daily. A ética dos media é muitas vezes discutida nestas aulas de jornalismo, onde se menciona que os textos jornalísticos não devem ser subjetivos ou provocadores. Depois do protesto de 1 de julho de 2003 em Hong Kong, o título do Apple Daily foi: “Não queremos Tung Cheehwa”. O meu professor apontou-o como um exemplo claro de jornalismo subjetivo.

O Next Animation Studio também é usado como exemplo de estudo. Este jornal apresenta noticiais de acidentes rodoviários e outros incidentes através de imagens em estilo cartoon, porém, em casos de abuso sexual ou violência doméstica, muitos leitores sentiam que estes conteúdos eram por vezes demasiado explícitos, causando alguma controvérsia. 

O Apple Daily foi tão criticado como todo o universo, devido aos paparazzi que se infiltravam na vida privada de celebridades, ou ao conteúdo sexual na coluna amorosa.

Não podemos, no entanto, negar que o Apple Daily definiu uma nova direção para toda a indústria jornalística em Hong Kong, obrigando outros jornais a transformarem o formato, depois das edições totalmente a cores nos anos 90.

Outro órgão de comunicação social mencionado nas salas de aula é a Asia Television (ATV), fechada em 2016 e a reportagem da morte de Jiang Zemin, quando se discute a forma correta de noticiar exclusivos. Alunos aspirações a serem jornalistas são alertados para a importância de verificação de fontes. Não basta apenas confiar num canal de informação, é preciso sempre procurar pelo menos uma segunda confirmação. Com ambos os órgãos de comunicação a chegar ao fim, será que já não existe mais espaço de desenvolvimento para a indústria jornalística?

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