FMI: Maioria do apoio financeiro na pandemia foi para a América Latina - Plataforma Media

FMI: Maioria do apoio financeiro na pandemia foi para a América Latina

A América Latina recebeu mais de 60% do apoio financeiro que o Fundo Monetário Internacional (FMI) destinou aos países para enfrentar a pandemia de covid-19, disse esta segunda-feira (24) o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, Alejandro Werner.

Em nota, o funcionário realçou o apoio da entidade financeira global à região, na qual antecipou desafios substanciais em termos de crescimento, fortalecimento das finanças públicas e educação.

“É importante destacar que 60% do apoio financeiro que o FMI outorgou durante a pandemia orientou-se para a América Latina”, disse Werner num vídeo publicado no website do FMI.

Alejandro explicou que este apoio se materializou em linhas de emergência e linhas contingentes, assim como na extensão de alguns programas, como o novo acordo com o Equador, aprovado no ano passado, depois da reestruturação da dívida privada.

Dos 110,188 mil milhões de dólares de assistência do FMI a 85 países para mitigar o impacto económico da pandemia de covid-19, US$ 68,013 mil milhões foram para 20 países da América Latina e e nove das Caraíbas. Werner disse que o FMI prevê continuar o apoio à região.

Uma vez que as campanhas de vacinação regionais acelerarem e os países forem desenvolvendo pacotes de políticas para impulsionar o crescimento, o FMI espera “poder outorgar o apoio financeiro requerido para que estes programas possam ser implementados”, disse.

Luz vermelha para a educação

No seu último relatório de “Perspetivas da economia mundial” (WEO, na sigla em inglês), o FMI melhorou as perspetivas para a América Latina e Caraíbas, prevendo um aumento do crescimento de 4,6% para este ano, abaixo da média global de 6%.

Werner estimou que, por consequência nos atrasos das campanhas de vacinação, “talvez a primeira metade do ano seja um pouquinho menos dinâmica do que pensávamos”.

Também destacou que mesmo um crescimento próximo de 5% estaria abaixo do nível pré-pandemia, visto que a contração do PIB na região em 2020 foi de 7%.

“O nível do rendimento per capita em 2025 provavelmente será semelhante ao que víamos em 2015, o que também mostra um problema de aprofundamento da pobreza, de deterioração na distribuição de rendimentos”, advertiu.

Além do desafio que representa assegurar um crescimento sustentado e inclusivo, Werner enfatizou as políticas fiscais necessárias para atender aos elevados níveis de dívida pós pandemia.

Mas, sobretudo, fez soar o alarme sobre a deterioração educacional da região, devido ao encerramento das escolas para evitar a propagação da covid-19.

“A América Latina é uma das regiões do mundo onde se perdeu o maior número de dias de aulas presenciais” e onde “o acesso à educação remota é muito desigual, dependendo muito dos níveis socioeconómicos de cada um”, afirmou.

“Estabelecer medidas corretivas que compensem a perda na educação nos últimos 14 meses vai ser muito importante para limitar os efeitos sobre o crescimento económico, mas também sobre a distribuição de rendimentos”, destacou.

De corrigir a prevenir, a evolução do FMI

Werner, um economista mexicano nascido em Buenos Aires em 1967, anunciou no mês passado que a partir de 31 de agosto deixará o cargo no Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, onde chegou em 2013.

Perguntado sobre a relação do Fundo com a região, disse que o movimento para sistemas democráticos nas últimas décadas contribuiu para sociedades com maior transparência e, por fim, com muito mais debate sobre as políticas públicas.

Por outro lado, salientou mudanças no FMI, que passou de um conceito de estabilização macroeconómica a outro mais amplo que inclui os indicadores sociais.

“Isso, do ponto de vista do FMI, refletiu-se através da proteção do gasto social dentro dos programas de estabilização macroeconómica”, disse.

Werner também enfatizou a evolução das ferramentas do Fundo: de instrumentos corretivos a instrumentos preventivos.

“Isso muda a dinâmica na relação com os países-membros porque é muito diferente ser parte de uma estratégia preventiva de gestão do risco do que ser o sócio que entra quando existe uma crise”, afirmou.

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