Início » À procura do Príncipe sustentável

À procura do Príncipe sustentável

António Bilrero e Dinis Chan

Mauro de Sousa Paim e Tomé Baptista Cardoso são dois juristas, um angolano e outro português, a exercer funções como consultores externos do Governo Autónomo do Príncipe, na República de São Tomé. Em conversa com o PLATAFORMA explicam a importância do plano “Príncipe 2030” destinado a fornecer um guião para um desenvolvimento inclusivo, sustentável e resiliente da ilha.

Qual a vossa relação com a Região Autónoma do Príncipe e com esta ilha da República de São Tomé?
Mauro de Sousa Paim/Tomé Baptista Cardoso – É uma relação muito especial e não nasceu ontem. Aliás, até há pouco tempo, o que nos ligava ao Príncipe eram unicamente as pessoas, os amigos que são de lá, gente ótima que falava do seu país com imensa garra e orgulho e essa paixão pela terra – que é um traço comum de todos os nossos amigos do Príncipe – contagiou-nos muito.

No entanto, de alguns meses para cá, temos desenvolvido uma relação muito próxima com o Governo Regional, em vista a colaborar com a população, nos mais variados setores, nomeadamente na Agricultura, na Pesca, no Turismo, ou noutros que ainda são inexistentes ou irredutíveis, mas que muito ajudarão o Príncipe a ser maior – em condições, em infraestruturas – e melhor para cada cidadão que lá habita.

– Vamos imaginar que estamos em Abril de 2030. Passaram nove anos sobre o Plano de Desenvolvimento Sustentável “Príncipe 2030”. Como é viver no Príncipe?
MSP/TBC – Viver no Príncipe é viver na natureza, dentro dela e para ela, é viver dentro de uma Reserva Mundial da Biosfera. É um verdadeiro privilégio.
O Príncipe é diferente e orgulha-se em ser a diferença. Na Ilha do Príncipe encontramos valores culturais raros e pessoas muito acolhedoras. Para perceber isto, vale muito a pena visitar o Príncipe nos meses de Verão e participar numa das maiores festas culturais do Mundo: o Auto de Floripes.

– Qual o papel do Governo regional para se atingir estas metas?
MSP/TBC – O Governo Regional tem um papel muito ativo junto da população. Existe uma grande proximidade entre o Governo Regional, na pessoa do Presidente, Filipe Nascimento, e todos os cidadãos da ilha.
E disso também dá nota a implementação do Plano “Príncipe 2030”, um plano ambicioso, mas possível. Ao longo dos últimos anos têm sido encetados todos os esforços para levar a cabo o plano e estamos esperançosos que vai ser possível. Sabemos que esta nova realidade da epidemia Covid-19 veio atrasar um pouco o processo, no entanto, o Governo Regional está empenhado e não vai desistir perante qualquer adversidade.
O Governo Regional tem sido incansável. Tem feito esforços junto dos investidores, daí a nossa presença, para aproximar e dar a conhecer aos grandes grupos empresariais a existência e as necessidades da Ilha do Príncipe, bem como o Projeto de Desenvolvimento Sustentável “Príncipe 2030”.

– E o que se espera da sociedade civil local, estimada em pouco mais de 8 mil pessoas, para se atingirem as finalidades do plano?
MSP/TBC – A sociedade civil local está numa posição central, visto que é a força motora existente na Ilha e tendo em conta que o Plano se direciona exclusivamente para ela.
Queremos levar para o Príncipe projetos que atraiam turistas para a ilha, mas também projetos ligados ao desenvolvimento humano, em vista à capacitação intelectual de cada cidadão da Ilha do Príncipe.

– Estamos a falar de uma pequena ilha e uma população pouco numerosa. A percentagem de população que estudou, nos ensinos médio e superior é igualmente baixa. Até que ponto o fator educação pode limitar a execução do plano de desenvolvimento sustentável?
MSP/TBC – Como todos sabemos, a educação é o maior poder dado a um cidadão. Como referiu um grande político africano, “a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”. Quer isto dizer que, no plano perfeito, todos teriam acesso à melhor formação e à melhor educação. No entanto, no dia-a-dia não é assim tão fácil implementar essa realidade. Até poderemos pensar que é difícil, mas não é impossível, e como não é impossível, acreditamos que o plano será cumprido escrupulosamente e, conforme indicado no documento, está previsto um investimento nesta área. O Governo Regional tem aplicado todos os esforços para conseguir garantir acesso a estudos superiores – licenciaturas, pós-graduações, mestrados – fora do país, através de protocolos de cooperação com Universidades reconhecidas nos melhores rankings mundiais, nomeadamente com a Universidade de Lisboa. Há um grande trabalho a fazer, entre encontrar bolsas, estabelecer protocolos, arranjar financiamento, mas o Governo Regional está muito empenhado e tem contado com o apoio de alguns parceiros, como o Centro de Cultura Jurídica Africana da Universidade de Lisboa, o Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito de Lisboa, a Universidade Europeia, entre outros.

– Agricultura e pesca são as atividades dominantes. Com as particularidades conhecidas (designadamente área territorial, população e escolaridade) qual o modelo de desenvolvimento mais indicado para se dar o desejado salto qualitativo que permita diversificar a atividade económica local e assegurar um futuro sustentável da comunidade e região?
MSP/TBC – A agricultura e a pesca são já atividades dominantes na economia do Príncipe. Agora é a hora de a profissionalizar e industrializar, numa lógica moderna, sustentável e que não entre em conflito com o que de melhor o Príncipe tem: uma riqueza natural imensa. Com algum investimento estrangeiro responsável, estamos certos que as próximas fases serão postas em marcha muito em breve e os cidadãos do Príncipe beneficiarão muito com isso.

– Qual o papel destinado à cooperação? Mais focada na ajuda do dia-a-dia, como a alimentar, a saúde e a assistencial ou na formação/educação para preparar a comunidade para esta encontrar as melhores respostas e assim garantir um futuro sustentável para todos?
MSP/TBC – O papel da cooperação é simples. Enquanto consultores externos da Ilha, estaremos em contacto permanente com consultoras internacionais, sociedades de advogados, fundos de investimento, organizações não-governamentais, instituições de ensino ou cooperações e associações análogas, fazendo o acompanhamento e a gestão da relação das mesmas com o Governo Regional do Príncipe.
O investimento fará com que exista mais emprego e maiores e melhores infraestruturas na ilha, sempre conservando e acautelando o respeito e preservação da natureza.

– Que setores de investimento pretendem atrair para a Ilha do Príncipe?
MSP/TBC – A Ilha é já de si diversificada e isso permite o desenvolvimento de múltiplos setores. A base do Plano “Príncipe 2030” entende como prioritários a agricultura, a pesca e o turismo, e simultaneamente o desenvolvimento dos transportes – com a requalificação do aeroporto e a construção de um porto marítimo – das telecomunicações e das energias renováveis.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website