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Festival de Artes está de volta

O Festival de Artes de Macau está de volta em 2021. O evento, que foi suspenso no ano passado devido ao impacto da pandemia e obrigado a cancelar e a adiar uma série de atuações, está de regresso à cidade. Este ano, com a situação epidémica mundial ainda instável, o evento vai contar maioritariamente com atuações e obras locais e da China continental. Embora algumas performances sejam repetidas, a organização afirma que contam com novos elementos, procurando trazer alguma novidade ao público.

A obra “O Jogo Coloane”, da Dream Theater Association, foi apresentada em março de 2018 em Coloane, procurando apresentar ao público a história, cultura e tradições da região através de uma peça e visita guiada. Este ano a companhia de teatro traz de volta este espetáculo a Macau, com as nove sessões a esgotarem apenas num dia.

O encenador de “O Jogo Coloane”, Perry Fok, asinala que a peça fazia originalmente parte do projeto “Days of Sail”, embora na altura tenha contado com apenas quatro sessões. A equipa queria trazer o espetáculo a mais pessoas e candidatou-se ao festival em 2020. Apesar da repetição, o espetáculo refletirá a interação do grupo com Coloane desde 2018 até agora.

Outro dos encenadores acrescentou que as novas sessões serão mais completas, contando com a cooperação da diretora de movimento Chloe Lao. “Os atores são bons contadores de histórias, mas existem muitas memórias, imagens, sons e ações que o espetáculo procura trazer ao público, e para tal são precisos movimentos fortes. A indústria de construção naval e a vida destes residentes inclui muita ação, é necessário partilhar isso tudo com a audiência”, diz.

Em dezembro de 2018, o Governo declarou que os Estaleiros Navais de Lai Chi Vun seriam avaliados como um bem imóvel classificado. Mais tarde, a setembro de 2020, o Instituto Cultural de Macau (ICM) estabeleceu que essa classificação inclui as parcelas X11-X15 e X19, dando prioridade à restauração e revitalização do local para criação de um centro e mercado culturais, zona de lazer, espaço multiusos e uma sala de exposições do fabrico de cal.

O ICM esclareceu em março último que a primeira fase envolverá apenas os lotes X11 a X15, tendo o plano já sido completado, incluindo planeamento, restauração estrutural, fortalecimento de construção e design arquitetónico, mas sem data de conclusão.

Na verdade, desde o início da pandemia, Coloane tem-se tornado num local de lazer de fim-de-semana para muitos locais. Vangaree Tam, um dos coordenadores da peça “Jogo de Coloane”, lembra a existência no local de muitos restaurantes que atraem pessoas, mas esclarece que o grupo quer apresentar ao público a cultura local e espera que o festival ajude a uma interação com os residentes.

 “Às vezes questionamo-nos se existe, de facto, uma falta de eventos como este e se não estamos a esgotar os temas culturais possíveis. Mas existe ainda muita criação cultural, especialmente em Coloane”, acentua.

“Vejo-te através de Memórias” é outra obra do festival direcionada para a interação com a comunidade. Criado pela Associação de Workshops de Arte Experimental Soda-City, foi também exibida em novembro de 2018. Conta a história do bairro Patane e explora todas as histórias e sentimentos do local. Uma das diretoras, Kuok Soi Peng, explica que a obra também tinha exibição prevista para a edição de 2020 do festival, procurando chegar a um público mais alargado mas, com o desenvolvimento da pandemia foi adiada para este ano.

A responsável salienta que depois do último espetáculo, juntamente com vários membros da equipa de produção, continuaram a observar o bairro de Patane, tendo sido acrescentadas as notícias de reconstrução do edifício do Jardim Sin Fong. “Depois da atuação de 2018 continuámos de olho na região. Foram-se tirando fotografias para memória pessoal e para comparar as mudanças. Todos continuaram interessados no bairro, em atualizar a obra e voltar a apresentá-la”, adianta.

Este “teatro documental” tem por base uma pesquisa feita pelos próprios criadores, que conduziram entrevistas e recolheram informações sobre o local.

“Vejo-te através de Memórias” toma assim o bairro de Patane como um ponto de partida para a redescoberta de uma identidade, relembrando a forma original da cidade, descobrindo vidas passadas e presentes dos que aqui nasceram e convivem de perto com o mar.

Antes da estreia em 2018, a Associação de Workshops de Arte Experimental Soda-City explorou a zona ao longo de dois anos, recolhendo documentos e entrevistas pelo bairro. Kuok Soi Peng acrescenta que apesar de serem usadas algumas imagens de 2018 na exibição deste ano, parte do conteúdo será novo, visto que passou algum tempo e as circunstâncias mudaram.

Esclarece que a obra “Vejo-te através de Memórias” discute não só as cheias regulares que inundam o bairro como também a riqueza e subsistência dos seus residentes. “Quando relembro alguns acontecimentos de há alguns anos penso: como é que isto não foi resolvido na altura”, interroga.

Tal como da primeira atuação, o público terá de juntar-se em frente ao Largo do Pagode do Patane e depois, seguindo as orientações do grupo, passear pelo bairro e chegar ao Jardim Luís de Camões, descobrindo a história do local enquanto “o vivem” fisicamente. Quando questionada sobre o que mudou desde o espetáculo de 2018, reconhece que o local foi palco de poucas alterações. Continuam lá as lojas vazias e os edifícios por renovar. “Acredito que haverá mudança, mas provavelmente irá demorar muito, muito, tempo”, atira.

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