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Apagões prolongados em São Tomé levam Governo a pedir desculpas

O primeiro-ministro são-tomense pediu hoje (22) desculpas a população pela crise energética que dura há 10 meses no arquipélago, mas prometeu que a situação será resolvida nas primeiras semanas de maio

Lusa

“Eu quero pedir desculpa à população, eu entendo que a situação é crítica, mas os esforços têm sido redobrados para arranjar uma solução mais viável […] brevemente nós teremos a situação resolvida. Os técnicos estão todos envolvidos, dedicados no sentido de arranjar uma solução”, disse Américo Ramos.

O primeiro-ministro são-tomense falava após uma reunião de quase duas horas, convocada pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, com participação do ministro das Infraestruturas e da direção da Empresa de Água e Eletricidade (Emae) para analisar a situação energética no país.

“É uma situação que não é de hoje, não é desse governo, é uma situação que já vem há algum tempo a esta parte, vai se arranjando soluções de curto prazo, mas é preciso fazer uma reforma profunda, é preciso criar condições para que a empresa consiga manter esse parque de geradores e não é manter quando ela entra em situação de avaria, mas sim permanentemente continuar a fazer essas manutenções”, disse Américo Ramos.

“É preciso sermos realistas. Eu sei, eu lamento, a situação é crítica, mas nós temos que arranjar soluções duradouras”, acrescentou Américo Ramos, criticando uma vez mais o acordo assinado pelo Governo anterior com a empresa de investidores turcos, Tesla-STP, que permitiu a estabilização da energia até agosto do ano passado.

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A solução do acordo com Tesla-STP transformou-se “um fardo de dívida para o Estado são-tomense”, na base do contrato de cerca de 530 mil euros mensais, aos quais disse que nem o Estado, nem a Emae tinham a capacidade de pagar, segundo Américo Ramos.

“A Tesla-STP já não está a funcionar, porque o Estado tem uma dívida acumulada de mais de 8 milhões de euros com a Tesla”, sublinhou Américo Ramos.

A crise energética voltou a instalar-se em São Tomé e Príncipe com cortes constantes e prolongados de eletricidade desde agosto do ano passado, quando a empresa Tesla STP, de investidores turcos, suspendeu unilateralmente o contrato, alegando dívidas acumuladas pelas autoridades são-tomenses.

Na semana passada a Ação Democrática Independente (ADI), do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, anunciou que pediu um debate de urgência sobre a crise energética que dura há cerca de 10 meses, bem como a falta de água potável no arquipélago.

O líder parlamentar da ADI, Nito Abreu afirmou que “a situação tende a piorar” e tem existido “muita lamentação, sobretudo dos que precisam, dos que trabalham e sobrevivem através da energia” e que investem no turismo.

As reclamações têm se intensificado na sociedade são-tomense e nas redes sociais, com alguns ativistas e grupos a ameaçarem avançar com manifestações pacíficas para pressionar o Governo a encontrar soluções urgentes para a situação.

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