Em declarações ao podcast de jornalismo de investigação Fumaça, o jovem recupera a madrugada de outubro de 2024, quando se encontrava na zona da Baixa de Lisboa com um amigo. Segundo o seu testemunho, ambos terão sido abordados, agredidos e algemados por agentes da PSP antes de serem transportados para a esquadra.
Youssef afirma que, já no interior das instalações policiais, terá sido alvo de agressões prolongadas enquanto permanecia algemado. “Estávamos algemados ao banco e foram-nos a bater com os joelhos e com as mãos durante quase uma hora ou mais”, relatou.
O jovem descreve um cenário de total impossibilidade de defesa. Segundo o seu relato, as agressões terão continuado enquanto se encontrava imobilizado, com os agentes a alternarem os golpes e a impedir qualquer tentativa de proteção. “Um estava a usar luvas de boxe e atacou-nos com as luvas. Continuaram durante quase uma hora ou mais”, afirmou.
Youssef diz que, durante o episódio, acreditou que poderia morrer. “Senti que nunca mais ia sair dali. Que podia ser morto e nada iria acontecer”, disse, acrescentando que interpretou o tratamento recebido como desumanizante. “Senti que não tinha qualquer valor. Era menos do que um ser humano.”
O jovem refere ainda que os alegados atos ocorreram num contexto de vulnerabilidade total, com as vítimas algemadas e sem capacidade de se proteger. “Sempre que defendíamos o rosto com as pernas, vinham baixá-las para nos poderem bater na cara”, descreveu.
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Para além do impacto físico, Youssef sublinha o efeito psicológico prolongado do episódio, referindo que continua a lidar com traumas associados ao que afirma ter vivido. “Foi muito duro e traumatizante”, afirmou.
O caso integra uma investigação mais ampla sobre alegados episódios de violência policial na esquadra do Rato, que levou já à detenção de 25 agentes da PSP no âmbito de um inquérito conduzido pelo Ministério Público.
Segundo a investigação em curso, estão em causa suspeitas de crimes como ofensas à integridade física qualificadas, abuso de poder e outros ilícitos associados a alegados episódios ocorridos em contexto de detenções.
O processo permanece em investigação judicial, estando ainda por apurar a extensão total dos factos e eventuais responsabilidades individuais.