O Brasil quer atrair mais investimento direto chinês em infraestruturas, incluindo em parcerias público-privadas para grandes projetos, disse hoje à Lusa um assessor da Presidência brasileira. Filipe Brand recordou em Macau que empresas chinesas já têm alguns projetos a decorrer no Brasil, mas que a China ainda não está na lista dos cinco maiores investidores estrangeiros diretos no país.
Empresas chinesas estão, por exemplo, a fabricar as novas carruagens do metropolitano de São Paulo e a construir a Ponte Salvador-Itaparica, cujas obras receberam no início de junho “luz verde” para avançar. “Ainda tem muito potencial para ser explorado de investimento direto chinês”, defendeu o assessor da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sob a tutela da Presidência do Brasil.
Brand falava à margem do encerramento de um colóquio sobre investimento e construção de infraestruturas, que se juntou em Macau durante duas semanas funcionários e dirigentes dos governos dos nove países de língua portuguesa. O colóquio, que arrancou a 2 de junho, foi organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).
“A gente espera que esse tipo de iniciativa, como o Fórum de Macau, ajude a aproximar mais profundamente as relações Brasil-China para, eventualmente, trazer mais financiamento chinês para investimento direto”, disse Brand. O assessor sublinhou que o Brasil “tem um portfólio riquíssimo de projetos nos mais variados setores”.
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“A gente precisa de capital para investir em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, mobilidade urbana, habitação social, projetos sociais, saúde, educação”, elencou Brand.
O PPI é uma iniciativa interministerial que aponta prioridades entre os projetos de infraestruturas para o investimento público no Brasil e que atualmente tem mais de 200 projetos em carteira, explicou o dirigente. Há 15 anos que a China é a principal parceira comercial do Brasil.
As exportações brasileiras subiram 36.9% nos primeiros três meses de 2026, para 26,4 mil milhões de dólares (22,9 mil milhões de euros), de acordo com dados dos Serviços de Alfândega chineses.
No encerramento do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, sublinhou que o plano de ação da organização, aprovado em 2024 e em vigor até 2027, prevê como prioridades na área das infraestruturas os transportes, telecomunicações, energia elétrica e recursos hídricos.
O diplomata prometeu que a China irá continuar “a reforçar a sua abertura ao exterior e a expandir o espaço da cooperação internacional, trazendo maior estabilidade e certeza à economia mundial”.