O memorando de entendimento pretende pôr termo a meses de conflito desencadeados pelos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão em fevereiro, que provocaram instabilidade em toda a região e abalaram a economia mundial. As últimas novidades são as seguintes:
Os preços do petróleo caíram mais de 2% na quinta-feira (18), prolongando as perdas registadas desde que surgiram notícias do acordo durante o fim-de-semana. O barril de Brent do Mar do Norte, referência internacional, recuava 2.1% para 77,87 dólares às 05h25 GMT (13h25, em horas de Macau).
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou o memorando de entendimento na quarta-feira, depois de participar na cimeira do G7 em França, durante um jantar à luz de velas no Palácio de Versalhes, segundo um vídeo divulgado por um assessor de Trump.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, citado pela agência estatal IRNA, afirmou que o documento “foi finalizado com as assinaturas dos presidentes”. O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o acordo representa um “fracasso” dos Estados Unidos.
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O memorando “entrará em vigor com efeitos imediatos e, como primeiro passo, a República Islâmica do Irão reabrirá imediatamente o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos da América levantarão de imediato o bloqueio naval”, escreveu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, na rede social X.
Sharif confirmou igualmente que o Paquistão, com o apoio do Qatar, organizará uma cerimónia na Suíça na sexta-feira para “assinalar este acontecimento histórico e dar início às conversações a nível técnico”.
Teerão reiterou os seus planos de cobrar taxas às embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz após o termo do período de 60 dias previsto no documento.
O principal negociador iraniano, Ghalibaf, afirmou numa entrevista transmitida pela televisão estatal que o “Estreito de Ormuz não regressará às condições anteriores à guerra”, acrescentando: “O Irão tem o direito de exercer soberania sobre o Estreito de Ormuz e, naturalmente, receberemos uma taxa pelos serviços prestados.”
O documento refere que Teerão concordou em diluir as suas reservas de urânio enriquecido sob supervisão das Nações Unidas, algo que um responsável norte-americano classificou como uma “grande, grande vitória”. O Irão tem insistido repetidamente que as questões nucleares apenas serão discutidas em negociações posteriores, depois da assinatura do acordo inicial.
O acordo permite a Teerão retomar as vendas de petróleo, enquanto todas as sanções serão levantadas caso seja alcançado um acordo final após o período de negociações de 60 dias.
O Irão poderá ainda ter acesso a um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros), embora responsáveis tenham indicado que Washington não assumiu qualquer compromisso de contribuir para esse fundo.
Trump advertiu o Irão na quarta-feira de que está preparado para retomar a ação militar caso Teerão não cumpra as suas obrigações. “Se não se portarem bem, voltaremos imediatamente a lançar bombas mesmo em cima das suas cabeças”, declarou Trump durante a cimeira do G7.
O exército israelita anunciou na quinta-feira que um dos seus soldados foi morto nos combates ocorridos no sul do Líbano no dia anterior, num incidente que também provocou ferimentos em sete militares. O acordo entre os Estados Unidos e o Irão deverá pôr fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano.
Ainda assim, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças israelitas permanecerão no Líbano, onde combatem o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o acordo como uma “grande vitória” e apelou ao Líbano para aproveitar o momento e expulsar as forças israelitas do país.