Início » Hong Kong mantém crime de apelo ao voto nulo. Tribunal diz que a lei não viola a liberdade de expressão

Hong Kong mantém crime de apelo ao voto nulo. Tribunal diz que a lei não viola a liberdade de expressão

O Tribunal de Última Instância de Hong Kong rejeitou o recurso contra a criminalização do apelo ao voto nulo ou ao boicote eleitoral. A decisão reforça a leitura de que a lei eleitoral pode restringir a expressão política para proteger a participação e a confiança no sistema

Lusa

A justiça de Hong Kong rejeitou hoje um recurso contra a criminalização do apelo ao voto nulo ou ao boicote eleitoral e defendeu que a legislação é necessária e não limita a liberdade de expressão. A decisão foi tomada de forma unânime por cinco juízes do Tribunal de Última Instância, órgão máximo da justiça da região, incluindo o lusodescendente Roberto Ribeiro, de acordo com a imprensa local.

O recurso foi apresentado por Jacky So Tsun-fung, antigo presidente da associação de estudantes da Universidade Chinesa de Hong Kong, entretanto já extinta. Em dezembro de 2022, Jacky So foi condenado a uma pena de prisão suspensa de dois meses por ter partilhado nas redes sociais uma publicação em que o antigo deputado Ted Hui Chi-fung apelava ao voto em branco nas legislativas de 2021.

Ted Hui fugiu para a Dinamarca em dezembro de 2020 e em agosto passado recebeu asilo na Austrália, depois de ser acusado de crimes contra a segurança nacional em Hong Kong.

Os advogados de Jacky So alegaram que a revisão da lei eleitoral, em vigor desde 2021, constituía uma interferência ilegal nos direitos dos residentes de Hong Kong à liberdade de expressão e à igualdade. A defesa argumentou que a lei reprime, com penas de até três anos de prisão e multas de 200 mil dólares de Hong Kong (22 mil euros), as críticas ao sistema eleitoral e discrimina quem tem opiniões políticas diferentes.

Leia também: Nova proposta reforça papel do líder de Hong Kong na definição de casos de segurança nacional

Os advogados citaram decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que consideraram injustificadas leis semelhantes tanto na Rússia como na Bielorrússia.

Mas o juiz Andrew Cheung Kui-nung, que redigiu a sentença, considerou que a restrição criada à liberdade de expressão era “de alcance modesto e cuidadosamente delimitada”. Andrew Cheung afirmou que a interferência não ultrapassou o necessário para alcançar objetivos legítimos, como salvaguardar a participação eleitoral e manter a confiança pública no sistema político.

O juiz recordou os protestos antigovernamentais, por vezes violentos, de 2019, e disse que apelos ao boicote eleitoral podem prejudicar a “legitimidade, credibilidade ou mandato representativo do processo eleitoral”. Em resposta aos protestos, Pequim impôs em 2020 uma lei de segurança nacional, com crimes cuja punição inclui a pena perpétua, reprimindo a dissidência política em Hong Kong.

As legislativas de 7 de dezembro decorreram sem os dois principais movimentos da oposição: o Partido Democrático, que acabou por se dissolver em 14 de dezembro, e o Partido Cívico, que já o tinha feito em 2023.

Em novembro, a agência anticorrupção de Hong Kong recordou que, desde 2021, 12 pessoas foram condenadas por “publicamente, incitar os eleitores a não votar, votar em branco ou nulo”. De acordo com a imprensa local, a polícia de Hong Kong deteve no ano passado 18 pessoas por crimes eleitorais.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website