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China elogia países africanos por recusarem sobrevoo a líder de Taiwan

A China elogiou hoje (22) a decisão de vários países africanos de recusarem autorizar o sobrevoo do avião do líder de Taiwan, William Lai Ching-te, ao mesmo tempo que reforçou a sua posição sobre o princípio de “uma só China”, após Taipé ter suspendido uma visita oficial a Essuatíni

Plataforma com Lusa

A deslocação, agendada para esta semana, foi suspensa depois de Seicheles, Maurícia e Madagáscar terem revogado, “sem aviso prévio”, as autorizações de sobrevoo, segundo as autoridades de Taipé, que atribuíram a decisão à “coerção económica” de Pequim.

Numa conferência de imprensa, Zhang Han, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, afirmou que Pequim “valoriza a posição e a prática” dos países envolvidos por respeitarem o princípio de “uma só China”. “Os que seguem o caminho correto contam com amplo apoio, enquanto os que se afastam dele ficam isolados”, disse, acrescentando que este princípio constitui uma “norma básica das relações internacionais” e um “consenso universal”.

O princípio de “uma só China” é um dos pilares da política externa chinesa, segundo o qual Taiwan faz parte do território chinês e o Governo da República Popular da China é o único representante legítimo. A posição foi reiterada por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, que afirmou que o uso do título de “presidente” por parte da liderança de Taiwan “contraria a história” e “apenas trará descrédito”, segundo a agência noticiosa Xinhua.

O mesmo responsável sublinhou que todos os países africanos, com exceção de Essuatíni, mantêm relações diplomáticas com a China e que, juntamente com a União Africana, reafirmaram o apoio ao princípio de “uma só China” na Declaração de Pequim adotada na cimeira de 2024 do Fórum de Cooperação China-África.

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Estes países têm reiterado que existe “uma só China no mundo”, que Taiwan é parte integrante do território chinês e que apoiam os esforços para a reunificação nacional, segundo Pequim.

A reação surge depois de Taipé ter anunciado a suspensão da visita de Lai a Essuatíni, o único parceiro diplomático da ilha em África, onde o líder deveria participar em eventos oficiais com o rei Mswati III.

O secretário-geral da liderança de Taipé, Pan Men-an, classificou a revogação das autorizações de sobrevoo como um caso “sem precedentes”, afirmando ser a primeira vez que um líder de Taiwan cancela uma deslocação ao estrangeiro por esse motivo. As autoridades de Taipé apresentaram entretanto um “forte protesto” contra as decisões de Seicheles e Madagáscar, acusando-os de seguirem “narrativas distorcidas” de Pequim.

O próprio Lai afirmou que as alegadas pressões “ferem os sentimentos do povo” e garantiu que “nenhuma ameaça” impedirá a participação de Taiwan na comunidade internacional. O Governo de Essuatíni lamentou o cancelamento da visita, mas sublinhou que tal “não altera” as relações bilaterais.

Atualmente, Taiwan mantém relações diplomáticas com cerca de uma dezena de países, maioritariamente na América Latina, Caraíbas e Pacífico.

Pequim reiterou ainda que o princípio de “uma só China” corresponde à tendência da história e da opinião pública internacional, defendendo que quaisquer tentativas de promover a “independência de Taiwan” estão “condenadas ao fracasso”.

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