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A ‘montanha russa’ é a melhor, foi desenhada por portugueses, mas não temos petróleo

Gonçalo Lopes

No dia 25 de outubro o circo da Fórmula 1 regressou a Portugal. Domingo, dia 22 de novembro, foi a vez do MotoGP fazer as delícias dos amantes da alta velocidade no autódromo de Portimão, no Algarve. Duas diferenças nestes dois; o primeiro tive direito a público, com mais de 20 mil nas bancadas, ao passo que o espetáculo das duas rodas não teve ninguém a assistir ao triunfo do português Miguel Oliveira. Houve, assim, diferenças, mas houve algo que tanto em outubro como agora em novembro reuniu consenso: o traçado da pista é “único e espetacular”.

Quem o disse foram os intervenientes. Não foram diretores, mecânicos, patrocinadores, convidados, etc. Não, foram mesmo aqueles que desfrutam das curvas apertadas, das retas alucinantes. Foram aqueles que proporcionam o espetáculo para milhões. E de facto este traçado é “único e espetacular”. E para os que não sabem, foi desenhado por portugueses. Não foi preciso recrutar arquitetos estrangeiros para fazer da pista do autódromo de Portimão a melhor do mundo. E é, de facto, a melhor pista de velocidade do mundo.

Ironicamente, a melhor pista do mundo só teve direito a receber o mundo da velocidade devido à pandemia de Covid-19. É que na Fórmula 1 e no MotoGP, infelizmente, os interesses vão além do que realmente importa, neste caso a pista. Os líderes da F1 e do MotoGP correm o mundo todo à procura de novas pistas, mas às mesmas têm de estar anexados alguns milhões de euros, esta é a dura realidade. Até porque se perguntarem a Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Max Verstappen, Valentino Rossi, Franco Morbidelli, entre outros, a pista de Portimão estaria no calendário para a próxima época e para o futuro. E, mais uma vez, a realidade é que, de momento, não está. Ficou mesmo de fora, pelo menos no que à Fórmula 1 diz respeito, sendo que a MotoGP tem grandes possibilidades de regressar no próximo ano.

Não é por acaso que falam da pista do autódromo de Portimão como a ‘Montanha Russa‘. Há subidas, descidas, há hipóteses de mil e uma ultrapassagens, e há uma reta de partida e chegada como nenhuma por esse mundo fora. Há tanta pista aborrecida que há anos continua nos calendários da F1 e a melhor do mundo vai ficar de fora. Talvez, um dia, se encontrarem petróleo na costa portuguesa, os melhores pilotos do mundo tenham o prazer de correr uma vez por ano na melhor pista do mundo.

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