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Os Punhos da Diplomacia

Arsénio Reis

Foi sem “punhos de renda”, como mandaria a tradição diplomática, que o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa deixou claro que Portugal terá de decidir de que lado está na guerra entre os Estados Unidos e a China.

George Glass, empresário do Oregon e amigo de Donald Trump, foi bem claro este fim de semana em entrevista ao Expresso. Portugal tem de escolher entre trabalhar com os aliados, os parceiros de segurança – leia-se EUA – ou ter como parceiro económico a China.

Negando estar a fazer qualquer ameaça, o embaixador disse que escolher a China em questões como a tecnologia 5G pode ter consequências em matérias de defesa.

E verbalizou o desejo de que o novo terminal do Porto de Sines não vá parar a mãos chinesas, até porque esse terminal terá uma importância estratégica para o gás liquefeito norte-americano.

A entrevista está pejada de “não ameaças” tão claras que passam por admitir sanções para empresas portuguesas como a Mota-Engil, por 30% dessa empresa estar agora nas mãos da China Communications Construction Company (CCCC).

O que seria se em vez do embaixador dos Estados Unidos, fosse o de outro país a proferir essas “não ameaças”?

O Presidente da República Portuguesa e o ministro dos negócios estrangeiros responderam no mesmo tom: em Portugal manda quem foi eleito pelos portugueses para o fazer.

Ficou dito e é importante sublinhá-lo, mas o que seria se em vez do embaixador dos Estados Unidos, fosse o de outro país a proferir essas “não ameaças”?

O que aconteceria se o mesmo fosse dito, por exemplo, pelo embaixador da China em Lisboa?

Independentemente da bondade de qualquer decisão, o que perde política e economicamente um país como Portugal se for obrigado a fazer opções tão claras quantas as que são exigidas pelo embaixador-amigo de Donald Trump?

Qual será a diferença de custo num negócio como o 5G…com ou sem a chinesa Huawei? Ou será igual?

No início do mês de agosto recordei aqui no Plataforma um velho ditado africano, aplicando-o a este conflito entre os Estados Unidos e a China: quando dois elefantes lutam, quem sofre é o capim…a relva, ou o gramado, se quiserem.

Também aqui o embaixador George Glass foi claro. Portugal faz parte do campo de batalha.

*Diretor do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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