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Quando dois elefantes lutam…quem sofre?

Arsénio Reis*

Um velho ditado africano diz que “quando dois elefantes lutam quem sofre é o capim”…a relva, ou a grama, dependendo do país onde estarão a ler. E o planeta assiste, nesta altura, a uma luta entre as duas maiores economias mundiais.

Os Estados Unidos e a China tinham começado bem o ano. Em janeiro de 2020, a Casa Branca foi palco de um encontro entre o Presidente dos Estados Unidos e o Vice-primeiro-ministro chinês, Liu He.

Nessa altura as duas potências estabeleceram um acordo visto como um primeiro passo para ultrapassar a guerra comercial que tinha deixado a economia mundial em estado de alerta.

Poucos meses depois, condimentada pela pandemia de covid-19, a relação entre os dois países atinge um pico de hostilidade com consequências ainda difíceis de prever.

O relacionamento diplomático assenta no encerramento de representações consulares, a corrida por uma vacina contra o coronavírus divide-os, as manobras militares no Mar da China intensificam-se. E o 5G tem fomentado uma guerra tecnológica, logo económica, quase sem rede. Tudo está a ser jogado no limite.

A aproximação das eleições norte-americanas também não favorece o evoluir deste conflito, ainda que ninguém acredite na possibilidade dele assumir proporções militares.

Donald Trump sabe que hoje são menos os que acreditam que ele tem capacidade de cumprir o seu slogan: “Make America Great Again”

Na verdade, as últimas sondagens dão a Donald Trump um pouco mais de 40 por cento das intenções de voto – a nível nacional – e a Joe Biden, o homem que o quer remover da presidência dos EUA, cerca de 50 por cento.

O atual presidente pode estar a pagar um preço elevado pela gestão da crise pandémica, num país com mais de quatro milhões e meio de infetados e 150 mil mortos. Como se não bastasse, o PIB norte-americano caiu mais de 30 por cento no segundo trimestre de 2020.

Donald Trump sabe que hoje são menos os que acreditam que ele tem capacidade de cumprir o seu slogan: “Make America Great Again”.

Neste cenário – tal como o Presidente Bush, no 11 de Setembro, ou o Presidente Kennedy, na crise dos misseis de Cuba – também Donald Trump pode ser tentado a promover ainda mais um inimigo externo. Sobretudo se ele for tão poderoso como a China.

A descoberta da nova vacina pode ser determinante neste jogo entre os dois gigantes, porque em Washington sabe-se que Pequim tudo fez para ganhar relevância no futuro. Prova disso os resultados alcançados na inteligência artificial, na nanotecnologia, na biotecnologia e na tecnologia em geral.

Caso a vacina seja propriedade de um destes gigantes…o capim volta a sofrer.

*Diretor do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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