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Os problemas deixados por Abe

Com a demissão de Shinzo Abe como primeiro-ministro japonês, vários membros do Partido Liberal Democrata têm partilhado a sua vontade de se candidatar às próximas eleições do partido em sua substituição. Apesar dos fatores de saúde que motivaram a demissão, outros fatores, como o facto de o seu governo e medidas não terem conseguido resolver os atuais problemas do Japão, formam a razão principal. Estes problemas passam agora a ser responsabilidade do seu sucessor. 

Abe deixa para trás toda uma confusão por resolver. Primeiro, os EUA estão a preparar-se para instalar misseis balísticos de médio alcance no Japão. Recentemente, Marshall Billingslea, Enviado Presidencial Especial para o Controlo de Armas, afirmou que os EUA estão a discutir com vários países asiáticos formas de proteger os seus aliados, incluindo o uso de misseis de curta e média distância, acrescentando que o Japão é a atual prioridade para tal implementação. O Ministro da Defesa chinês respondeu que caso os EUA tomem tal decisão, a China irá contra-atacar, o que irá representar mais pressão sobre o Japão. Abe sabe que o país se tornaria numa arma de guerra americana, afetando as relações do país com a China e destruindo completamente os seus laços com a Rússia, para além de representar uma grande perda económica e um risco de segurança elevado. 

Mesmo após oito anos, Abe não conseguiu fazer com que o país recuperasse economicamente, e com o impacto da atual pandemia este ano representa um desafio económico ainda maior.

Em segundo lugar, a pandemia parece longe de acalmar, e talvez nem no próximo ano seja possível realizar os Jogos Olímpicos de Tóquio, deitando por água abaixo todo o investimento do país até então. O adiamento do evento este ano já causou um prejuízo de três mil milhões de ienes. Para além dos Jogos Olímpicos, a economia do Japão tem estado a regredir ao longo dos últimos anos, com três trimestres consecutivos de crescimento negativo entre 2019 e 2020. Ou seja, todo o crescimento económico criado com a “Economia de Abe” desapareceu. Mesmo após oito anos, Abe não conseguiu fazer com que o país recuperasse economicamente, e com o impacto da atual pandemia este ano representa um desafio económico ainda maior. 

O terceiro problema é a constante vontade de Abe de mudar a Constituição. Questões históricas e territoriais com a China e a Coreia do Sul são exacerbadas, e a sua mediatização criou um movimento populista forte no país, e a tal juntam-se agora os atuais conflitos sino-americanos, obrigando o Japão a escolher um dos lados. A deterioração das suas relações com a China e a Coreia do Sul representam uma ameaça à economia e segurança do país. Como poderá o sucessor de Abe resolver todos estes problemas?

‭* ‬‮‬Editor Senior

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