Big Brother - Plataforma Media

Big Brother

“A partir de hoje a discoteca Baja Beach Club em Barcelona será a primeira discoteca do mundo a implantar um sistema de identificação com um chip debaixo da pele dos clientes, de forma que lhes permitirá prescindir do documento de identificação e do cartão de crédito. Serão implantados os primeiros chips aos famosos do Big Brother Aida, Jorge Barrocal e Nacho, bem como à apresentadora Silvia Fominaya. O novo director da discoteca Conrad Chase assegurou que um médico inserirá o VeriChip com uma seringa descartável, mediante um processo similar ao de uma vacina. “Não provoca nenhum mal, não dói”, lembrou Chase que foi membro da boys band holandesa Baja Boys, depois de servir três anos no Corpo de Sinalização do Exército dos EUA, tendo também estudado Tecnologia Eletrónica. A ideia terá sido lançada pela série CSI Miami.”

Aos desatentos recordo que esta notícia saiu a 19 de Março de 2004. Ninguém escondeu nada, a informação é pública e continua disponível. Acho curiosa a coincidência de a indústria do entretenimento constantemente fornecer ideias ou pistas sobre o que aí vem. Há pelo menos 16 anos que me interrogo sobre qual o artifício criativo que nos fará aderir voluntária e massivamente a esta forma de controlo… Eis uma pista lançada antes, a 10 de Outubro de 2003: “uma empresa mexicana lançou um serviço de implantação de microchips em crianças como dispositivo anti-sequestro. Solusat, o distribuidor mexicano do VeriChip está a comercializar o dispositivo como uma identificação de emergência. O serviço conseguiu inclusivamente o apoio da Fundação Nacional de Investigações de Crianças Roubadas e Desaparecidas do México, que concordou em promover o serviço. A fundação estima que 133.000 crianças mexicanas foram sequestradas nos últimos cinco anos”. Ah pá, o jeito que isto daria aos pais das crianças ocidentais, olhem, como no caso da Maddie em 2007… 

Não perdemos pela demora: devido a nunca largarmos os smartphones habituámo-nos a sermos vigiados; depois a pandemia surge por acaso no timing certo, aquele em que a tecnologia atingiu a capacidade de responder ao desafio.

“De amanhã em diante há novas regras nas comunicações:
Todas as chamadas são gravadas
Todas as gravações de chamadas telefónicas, salvas
O Whatsapp é monitorizado
O Twitter é monitorizado
O Facebook é monitorizado
Todas as redes e fóruns sociais monitorizados
Todos os residentes e forasteiros aderem a estas novas regras. 
Governo do Dubai, 31 de Março de 2020”

Terminaram as aglomerações e circulação de pessoas, sufocando um potencial de ideologias e movimentações perigosas; as comunicações estão vigiadas. Resultado? Sinto-me seguro.

“Wuhan reabriu as fronteiras na semana passada. Só há um problema: um aplicativo de vigilância do governo é necessário para entrar e sair da região. O governo chinês começou a rastrear cidadãos por meio de um software que analisa os seus dados pessoais de modo a classificar os indivíduos em categorias correspondentes ao seu estado de saúde e nível de risco para COVID-19. Os usuários são primeiro solicitados a inserir informações pessoais, incluindo o seu número de identificação chinês, número de telefone, endereço residencial, o local de trabalho e onde, quando e como entrou na região, bem como o endereço do destino local e propósito da viagem.” 14 de Abril de 2020

“A ferramenta de software de rastreamento Covid-19 apareceu nas configurações de telefones Android e iPhones como parte de uma actualização dos seus sistemas operacionais. A actualização causou alguma confusão, com pessoas questionando nas redes sociais a nova adição dos seus aparelhos. “Este não é um aplicativo novo, mas um elemento extra adicionado aos sistemas operacionais dos telefones para permitir que desenvolvedores aprovados criem aplicativos que podem alertar sobre a proximidade de indivíduos infectados”, disse o cientista da computação Alan Woodward, da Universidade de Surrey. Só aplicativos aprovados pelo Google e pela Apple serão incluídos nas suas lojas de aplicativos”.
20 de Junho de 2020

Agora sim, o medo do contágio fez luz sobre o que nos persuadirá a aderir em massa. O terrorismo, os raptos, a partilha voluntária dos nossos dados por motivos recreativos ou agilização do quotidiano, hoje afiguram-se como simples etapas de uma nova ordem. Também tenho a mania que sou criativo, vamos a uma aposta? Eu aposto que quando a vacina estiver disponível, a seguir tornar-se-á obrigatória em alguns países. Será ilegal não estar vacinado, e pior, circular é um crime grave que põe em risco a comunidade. Sem poder sair, o prevaricador passa a viver clandestino, numa espécie de prisão domiciliária. Cidadãos de outros países que pretendam entrar nesses sem vacina ficam impedidos de o fazer. Por motivos familiares, profissionais, ou de lazer, muitos estrangeiros acabarão cedendo. Os modelos de sucesso na contenção da pandemia nos países onde há vacinação obrigatória induzirão os restantes a adoptar a medida, com algumas exóticas excepções. “Não há outra hipótese, é o melhor tendo em vista o bem comum”, cantarão em coro os cientistas, e vá-se lá contestá-los? Até a Igreja se engana, anda sempre a desculpar-se, se não fosse a certificação científica onde encontraríamos certezas na vida? Além disso, contestar a intelligentsia é arruinar a reputação, e dado que somos seres sociais evitá-lo-emos, senão as coisas complicam-se, perdemos o emprego, a nossa esposa pede o divórcio, de repente viramos párias da sociedade. A informação difunde-se pelos media, figuras famosas do mundo do espectáculo serão mostradas a levar a vacina e dirão nos talk-shows “já cumpri o meu dever, não custou nada”; o mundo das elites parece retornar ao normal e após tanta restrição todos almejarão alcançá-lo. 

O melhor exemplo de que a vacinação obrigatória é a única opção virá dos dois países mais afectados pela pandemia, cujos líderes se cobriram de ridículo durante a crise, afrontando a ciência e o bom senso. No fundo foram perfeitos, olhando em retrospectiva diria demasiado perfeitos, para nos fazerem ver o calvário de quem não adere à solução. Quer Trump seja ou não reeleito tudo volta à normalidade bipolarizada, erige-se um memorial às vítimas, os Estados Unidos regressam aos braços da civilização (à vacinação) através de Biden ou de um Trump que entretanto mudou de opinião. Quanto ao Bolsonaro, antes de terminar o seu mandato sofrerá um acidente fatal, quiçá ir de encontro a uma bala, e o Brasil partido ao meio mergulha no caos. Problema deles, não entram em lado nenhum sem estarem vacinados, e o ambiente, outra coincidência assinalável, propiciará o fartar vilanagem das suas matérias-primas. 

Falta a pergunta de um milhão de dólares: isto tudo serve o quê, a quem?

*Músico e Embaixador do Plataforma

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