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Peritos dizem que incêndio mortal em Hong Kong era “totalmente evitável”. O que falhou na evacuação do complexo de Wang Fuk

Dois grupos de peritos concluíram que o incêndio que matou 168 pessoas em Hong Kong poderia ter sido evitado. A investigação aponta falhas estruturais e humanas que comprometeram a evacuação e levantam agora debate sobre a profundidade do inquérito oficial

Lusa

Dois grupos de peritos disseram a um comité independente de investigação que o elevado número de mortes no pior incêndio a atingir Hong Kong desde 1948 teria sido “totalmente evitável”. O advogado principal da comissão disse, numa audiência na segunda-feira (22), que os dois grupos, a trabalhar de forma separada, chegaram a conclusões “em grande medida semelhantes”, de acordo com a imprensa local.

Victor Dawes sublinhou que 91 das 168 vítimas morreram devido à inalação de fumo durante o incêndio que em novembro devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk. O fumo espalhou-se rapidamente, porque, durante obras de renovação, as janelas à prova de fogo tinham sido substituídas por tábuas de madeira nas escadas de emergência, acrescentou o advogado.

Os peritos também identificaram placas de espuma utilizadas para cobrir as janelas e alarmes de incêndio desativados, por erro humano, como fatores que dificultaram a fuga dos residentes. “O tempo disponível para evacuação foi praticamente nulo” e muitos dos mais de 4.600 residentes do complexo, situado na zona de Tai Po, não foram alertados para o incêndio a tempo, lamentou Dawes.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores.

Leia também: Sete pessoas e duas empresas acusadas por incêndio que matou mais de 160 em Hong Kong (Com vídeo)

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos. Em 10 de junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

Ainda assim, o presidente do comité anunciou na segunda-feira que não irá recomendar que este seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas. David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população.

O juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu David Lok, que foi nomeado em dezembro pelo líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu.

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