Caiu a cortina - Plataforma Media

Caiu a cortina

Chega o verão, as cigarras cantam. Mesmo que os bichos mesquinhos tenham gasto a vida toda envidando esforços para projetar a voz, não é mais do que uma última elegia da vida breve. 

Rumo ao desconhecido, despertam novamente o medo e o desassossego do escuro. O Congresso Nacional do Povo aprovou a Lei de Segurança Nacional em Hong Kong, a região navega em águas até então desconhecidas, lançando uma pesada nuvem de fumo negro sobre o Estado de Direito na cidade. Tendo colocado um ponto final em Junho, para os amantes da sétima arte de Macau, também terminou um bom momento da “paixão”. O paradeiro da Cinemateca Paixão é tão incógnito como quando Portugal e Inglaterra entregaram Hong Kong e Macau à China. 

Antes da instauração do Cinemateca Paixão, o público de Macau tinha muito poucas escolhas, até o projeto ter nascido, como se fosse uma água pura e cristalina, introduzindo um sangue novo na esfera da arte do cinema na região. Isso não apenas oferece ao público mais liberdade na escolha além dos filmes comerciais convencionais, também fornece um terreno fértil para os cineastas da região, irrigando o desenvolvimento e o crescimento dos filmes locais. 

A Associação Audio-visual CUT perdeu o concurso público para a prestação de serviços de operação da Cinemateca Paixão e a decisão tomada do Instituto Cultural causou polémica. Um nome mal conhecido e “bimbo” (O nome da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada em chinês literalmente significa “prosperidade deslumbrante”) foi anunciado como a nova gestão da Cinemateca Paixão, sobre a qual há pouca informação disponível e nunca tinha se apresentou frente ao público. Este não sabe quase nada sobre esta empresa. Na conferência de imprensa, a ambiguidade exibida pela responsável e o discurso vazio e repetido como o robô insensível, fez as pessoas perderem ainda mais a confiança. Diz-se que há uma entidade chinesa que investiu para filmar a telenovela “Filhos da Grande Baía” e o projecto do “Mlloywood” está lançado por investidores chineses. Uma água pura e cristalina vai logo ser envermelhada. É comum ouvir dizer que Macau é um deserto cultural. A chama incendida ainda não se enfogou e já morreu antes de seu nascimento.

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