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Cidade quase de volta

A maioria dos casinos está novamente a funcionar desde quarta-feira, à meia-noite. O Governo decidiu suspender a medida que tinha levou ao encerramento dos espaços de jogo durante 15 dias, para evitar a propagação do surto do novo coronavírus. São 29 os que voltaram a abrir portas. Os restantes 12 pediram ao Executivo para retomar as operações mais tarde, sendo que têm um prazo de 30 dias para o fazer.

Só a MGM e o Wynn têm todos os casinos abertos. A Venetian Macau mantém um fechado (Sands Cotai Central) em cinco e a Melco um (Altira) em quatro. Já a Galaxy mantém três suspensos (Waldo, Rio e President), num total de seis, e a SJM sete (Oceanus, Eastern, Macau Jockey Club, Golden Dragon, Casino Taipa, a somar ao Macau Palace e Greek Mythology, suspensos antes da crise).

O arranque está a ser parcial já que apenas perto de 30 por cento dos trabalhadores e das mesas de jogo estão operacionais.

O Executivo exigiu que as operadoras tomem medidas para garantir a saúde pública, como reforçar os trabalhos de limpeza e desinfeção, e ajustar o número e a distância das mesas de jogo. O Governo avisou também que todas as pessoas que entrem nos casinos devem usar máscara e ser sujeitas à medição de temperatura. Também impingiu a definição de uma distância mínima e reduz para três a quatro o número máximo de apostadores numa mesa de jogo. Não são permitidas apostas em pé.

Com a reabertura dos casinos, as autoridades estimam que 32 por cento dos funcionários do setor regressem ao trabalho. A indústria emprega mais de 50 mil trabalhadores – metade é croupier.

As corridas de cavalos e as apostas desportivas também estão de regresso. Assim como a Função Pública que retomou os serviços básicos, ainda que a meio gás. Todos utentes são obrigados a usar máscara, e só entram depois de mostrarem a declaração de saúde preenchida e de lhes ser medida a temperatura corporal.

Os jardins e parques públicos também reabriram. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, justificou a reabertura parcial de espaços públicos com o facto de Macau estar há cerca de 15 dias sem novos casos da infeção pelo novo tipo de coronavírus e de a taxa de propagação da doença estar a diminuir nas regiões vizinhas.

O horário de funcionamento foi reajustado para o período entre as 06h00 e as 19h00, e alguns dos equipamentos continuam vedados, como as instalações desportivas e o teleférico da Guia. Já as aulas continuam sem data para reiniciarem.

Há duas semanas que a cidade não regista novos casos de infeção pelo novo coronavírus, conhecido como COVID-19. Há, no entanto, um novo caso em Hong Kong. O homem, de 58 anos, esteve em Macau antes de apresentar sintomas, e regressou a Hong Kong através da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau.

As autoridades de saúde excluem a possibilidade de o contágio ter acontecido em Macau, alegando que os sintomas só se manifestaram fora do território.
Entretanto mais pacientes tiveram alta na região. Atualmente são seis o número de doentes que saíram do hospital dos dez casos registados até agora em Macau.

 

Preocupações

Esta semana, e por causa do reinício de atividade dos casinos, o Governo implementou novas medidas que visam quem vem de fora da cidade. Os trabalhadores não residentes que cheguem a Macau e tenham estado no Continente nos últimos 14 dias têm de cumprir um período de quarentena. Para quem chega de Zhuhai, o isolamento é feito na cidade chinesa. Já quem vem de outras regiões, cumpre a quarentena em Macau.

O Governo não adiantou detalhes sobre o alojamento que está a ser prestado pelas operadoras aos trabalhadores não residentes, e limitou-se a garantir que as empresas estão a dar “total apoio” ao Executivo.

Os Serviços para os Assuntos Laborais disem que está garantido apenas o alojamento de três mil trabalhadores não residentes que vivem fora da cidade.

Macau decidiu também reforçar as medidas de prevenção e controlo nas fronteiras. Há um rastreio clínico às pessoas que cheguem aos postos fronteiriços vindas de locais considerados de alto risco epidémico, incluindo os residentes locais que passam a fronteira pelo menos três vezes por dia. A lista dos pontos de risco é actualizada com frequência. Por agora, Hong Kong não entra ao contrário de Guangdong, onde já foram registados mais de mil casos.

A Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo mostrou-se preocupada com a reabertura dos casinos por entender que, apesar de o número de clientes ser bastante mais reduzido do que o habitual, agora há condições para que haja uma grande concentração de pessoas, o que pode ser “perigoso”. O grupo entregou uma petição ao Governo contra a reabertura dos casinos. A associação receia que a decisão acabe por levar a violação dos direitos. O grupo alega que há operadoras que vão impor férias não pagas a alguns funcionários e uma que terá obrigado trabalhadores a antecipar as férias de 2021 – casos que a associação quer ver investigados pelos Serviços para os Assuntos Laborais.
Já que o Governo decidiu abrir o setor do jogo, o grupo pede que sejam adoptadas mais medidas de prevenção além das anunciadas tais como permitir aos croupiers usarem luvas e proibir os clientes de comerem ou beberem nas mesas de jogo, para evitar que tirem a máscara.

 Redação Plataforma 21.02.2020

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