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Notas para o novo ano

1. O mundo muda a uma velocidade estonteante. Finanças, economia, tecnologia, ambiente, comunicação… alteram comportamentos, percepções, discursos e destinos. O horizonte anuncia distâncias irrecuperáveis entre instituições do passado – lentas e conservadoras – e o futuro das pessoas, volátil e imprevisível. Razão pela qual cresce também o fosso entre indivíduo e semiótica comunitária: da escola à família, do emprego à política… porque a realidade afasta-se da narrativa e dos seus valores de suporte. Macau, não sendo central na questão, não pode viver à margem dela, por muito inflacionada que seja a bolha dos casinos ou a anunciada supremacia chinesa.

2. Há nos recentes sorrisos entre Donald Trump e Xi Jinping outra realidade, aparentemente percebida, mas ainda razoavelmente escondida. O tratamento aplicado à crise de 2008, com base na obsessão do défice e no “cinto” das contas públicas, com perda generalizada de direitos económicos, sociais e políticos, não resolveu estruturalmente a banca. Nem sequer conteve a inflação imobiliária. Num contexto de desaceleração económica, uma guerra sem quartel entre China e Estados Unidos, seja ela comercial ou tecnológica, é caminho acelerado para o abismo. Macau, enquanto plataforma Oriente/Ocidente, não se pode afastar desta consciência.

3. Entretanto, o caos em Hong Kong alimenta a ilusão de que Macau e Shenzhen absorverão serviços financeiros, logísticos e comerciais. Duas notas urge sublinhar: primeiro, a exiguidade de Macau, a escassez de massa crítica e a cultura rentista bloqueiam grandes saltos de escala. Segundo, a fronteira em Shenzhen não é meramente física… O que o Ocidente creditou como apanágio da Região Administrativa Especial de Hong Kong não é repetível no seio da jurisdição da China Continental. 

Nenhum destes três pontos anuncia dramas insanáveis. Mas a ilusão é sempre a receita amarga de quem se arvora ao futuro. 

Paulo Rego 27.12.2019

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