As cinco nações com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, Rússia, Reino Unido e França), num comunicado conjunto emitido dia 29 de outubro anunciaram a oposição à assinatura do “Tratado de Proibição de Armas Nucleares”. No mesmo dia, depois de tal ser anunciado, as Nações Unidas deram início à elaboração de um novo tratado sobre a mesma proibição, com 100 estados-membros presentes, e com a ausência daquelas cinco nações.
O “Tratado de Proibição de Armas Nucleares” foi aprovado a 7 de julho de 2017, com 122 votos a favor, um contra, e uma abstenção. No entanto, países como os EUA, China, Rússia, Reino Unido, França, Japão e Coreia do Norte não participaram na votação, pertencendo os votos contra e da abstenção à Holanda e Singapura, respetivamente. Na altura da votação, o Embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas acusou o tratado de ser impraticável e liderou o boicote. Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, afirmou durante uma conferência de imprensa no dia 20 de março de 2017 que, após um estudo extensivo, foi decidido que a China não iria participar nas negociações sobre o “Tratado de Proibição de Armas Nucleares”, acrescentando o seguinte: “A China tem continuamente apoiado e defendido uma proibição definitiva, e total destruição de armas nucleares, tal como os objetivos das negociações deste tratado. Porém, a China acredita também que tal desarmamento não é possível da noite para o dia, sendo um assunto que necessita de uma discussão gradual e seguindo dois grandes princípios: “garantia de estabilidade estratégica a nível global” e a “segurança de todos os países”.
A 6 de agosto deste ano, o mesmo dia que marcou o 73º aniversário do bombardeamento nuclear de Hiroshima, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, voltou a realçar a oposição do país à adesão ao “Tratado de Proibição de Armas Nucleares”. Sendo o único país que foi vítima de ataque nuclear durante a guerra, o Japão surpreendeu o mundo no ano passado com o voto de oposição. Avaliando todos os países envolvidos, os que nesse momento possuíam maior número de armas nucleares eram os EUA e a Rússia, e por isso o total desarmamento nuclear depende apenas deles. O que é altamente improvável sem primeiro construir um ambiente de confiança mútua entre estes poderes nucleares, pois haverá sempre a desconfiança de que um deles continuará a construir armas nucleares em segredo. Com a criação de um sistema de inspeção nuclear, os países são obrigados a revelar segredos militares. Com o atual ambiente internacional é impraticável. Recentemente o presidente norte-americano Donald Trump tem até falado em alargar o arsenal nuclear. Por isso, discutir desarmamento nuclear atualmente não é realista, é apenas um reflexo do desejo dos países não nucleares.
David Chan 02.11.2018