Início Entrevista O Governo deveria desenvolver o conceito de “cidade inteligente” juntamente com empresas locais

O Governo deveria desenvolver o conceito de “cidade inteligente” juntamente com empresas locais

A MTel, segunda empresa a operar uma rede pública fixa de telecomunicações em Macau, já está em funcionamento há quatro anos e espera atingir um equilíbrio entre receitas e despesas em 2018, contou Choi Tak Meng, diretor da empresa, ao jornal Plataforma. A conversa passou também pelo investimento da empresa em Macau, planos de expansão, e sobre as perspetivas de investimento no conceito de “cidade inteligente”. 

– De acordo com os requisitos para a licença de rede fixa, até ao final de 2021 irão investir mil milhões de patacas em quatro fases, para a construção de infraestruturas, desenvolvimento de serviços de comunicações e contratação de trabalhadores. Pode contar-nos um pouco sobre a atual fase desse investimento e a possível necessidade de investimentos adicionais? 

– Choi Tak Meng: No final do ano de 2016 queríamos garantir que 70 por cento de todos os edifícios em Macau tinham cobertura de rede, e que o investimento ultrapassava os 500 milhões. Esse era o objetivo a completar na altura. Neste momento já nos encontramos na terceira fase, que teve início em 2017 e terminará no final deste ano. Até lá iremos garantir a cobertura de rede em 99 por cento dos edifícios em Macau, com um investimento de 770 milhões. Os restantes 230 milhões serão utilizados num período de três anos entre 2019 e 2021. Aquando da fixação dos objetivos de investimento da empresa, a política de “cidade inteligente” de Macau – ou da zona de Guangdong, Macau e Hong Kong – não existia. No entanto, estes são também projetos em que vale a pena investir. Teremos de ver como a situação se desenvolve.  

– O Tufão Hato que passou por Macau em agosto do ano passado afetou a vossa rede. Isto alterou de alguma forma o investimento planeado? 

– C.T.M.: Na verdade os danos causados à MTEL pelo tufão não foram graves. Deixámos de instalar linhas de rede no subsolo da Praça de Ponte e Horta, por ser uma zona de risco de inundação, agravada ainda mais durante o tufão Hato. Para servir os clientes residentes nessa zona, instalámos uma linha que passa por cima da Praça de Ponte e Horta, pelo Instituto Salesiano, descendo até à Casa do Mandarim e passando pela Calçada da Barra. Estes locais não estão sob risco de inundação, e tendo em conta a forma como a linha de rede foi instalada, não deverá haver qualquer problema. Os efeitos do tufão, como seria de esperar, influenciaram, de alguma forma, a nossa rede. No entanto, não levaram a gastos adicionais. Talvez isso também se deva ao nosso planeamento de rede ser flexível.  

– Falou da “cidade inteligente” como uma área de possível investimento. Pode dizer-nos mais sobre o assunto? 

– C.T.M.: Macau encontra-se agora numa situação peculiar. Em agosto, o Governo anunciou a colaboração com a Aliyun  (subsidiária da Alibaba) para a criação do projeto de “cidade inteligente”. Todos nós conseguimos entender que conceitos como “trânsito inteligente”, “polícia inteligente” e “turismo inteligente” têm de estar ligados ao Governo. Todavia, o problema é que, do ponto de vista da indústria local, o Governo parece estar apenas a contar com o investimento de 400 milhões do Alibaba, sem qualquer participação de empresas locais de tecnologia ou telecomunicações. Outra preocupação da indústria é a construção desta “cidade inteligente”, e se envolve ou não trabalhos subterrâneos.  

Tanto para a transformação da cidade, como para a criação de um plano de cinco anos, a minha sugestão é que o Governo crie uma ligação mais próxima com as indústrias locais relacionadas, ouvindo os seus líderes e especialistas, os quais, com certeza, irão contribuir com sugestões valiosas para este projeto e para Macau.  

– Pode falar-nos um pouco do sistema de computação em nuvem da MTel? 

– C.T.M.: O nosso centro de computação, que foi criado em 2017, inclui também bancos de dados, e já tem prestado alguns serviços. Mudámos este ano para instalações maiores, e temos como próximo objetivo servir as indústrias criativas de Macau. Neste momento, a principal indústria criativa é a artesanal, no entanto algumas que envolvem a animação ou o design necessitam de serviços de computação em nuvem a alta velocidade, serviços que podemos oferecer. Esperamos conseguir no terceiro trimestre deste ano lançar um novo serviço de computação em nuvem para as indústrias criativas.  

– Quantos clientes usam atualmente o vosso serviço de computação em nuvem? 

– C.T.M.: Neste momento apenas algumas dezenas, sendo a maioria da área comercial, mas o nosso objetivo é conseguir mil clientes. A nossa empresa espera agora apresentar esta ideia e serviço ao Governo, para que dessa forma Macau consiga abrir caminho, exportando equipamentos dentro desta área.  

– Que tipo de produto é o vosso “serviço de nuvem para comércio smart”, e para quando está previsto o seu lançamento? 

– C.T.M.: Nós queremos colaborar com pequenas e médias empresas neste serviço. É um serviço que tira o maior partido da fibra ótica e dos smartphones, e que permite aos clientes em qualquer momento e em qualquer lugar aceder a informações atuais das respetivas empresas, podendo até aprovar documentos entre outras funcionalidades. O seu lançamento está previsto para o segundo trimestre deste ano.  

– Em termos gerais, quantos clientes tem a vossa empresa? E quais os vossos planos de desenvolvimento futuro? 

– C.T.M.: Neste momento temos por volta de 4700 clientes individuais e pelo menos 400 empresas clientes. Ainda temos também algumas centenas de hotspots Wi-Fi, tal como algumas centenas de ligações ao estrangeiro. Em princípio, iremos abrir uma filial no segundo trimestre deste ano, perto do Hospital Kiang Wu. A loja na zona Norte irá abrir no terceiro trimestre. Além destas duas lojas, também esperamos conseguir abrir uma no Cotai. 

 – Anteriormente, a empresa mencionou à imprensa que era vítima de concorrência desleal, em especial devido a problemas de licitação de projetos e ligações à internet. Pode desenvolver um pouco o assunto? 

 – C.T.M.: Essa questão deve ser vista desta forma: Antigamente  [os serviços de rede fixa] estavam a cargo de outra empresa, e por isso não podemos simplesmente negar o seu mérito. Mais tarde, no entanto, aquando da criação em 2012, por parte do Governo, de novas empresas de serviço de rede fixa, não foram implementadas medidas e legislações de apoio às mesmas. Cada região implementou algumas medidas de apoio ao desenvolvimento da indústria, mas cada um depende de si mesmo.  

Existe um grande número de licenças de serviço de internet em Macau, mas apenas duas empresas possuem licença de rede fixa, afetando a disponibilização dos seus serviços. No que diz respeito às duas empresas que possuem licença de rede fixa, o Governo tentou agora encontrar um meio-termo entre as duas, onde ambas começam por estabelecer uma rede de 100 Mbps. É como se estivessem a brincar com os cidadãos. Alguns habitantes pedem uma velocidade de 150 Mbps, outras residências preferem entre 200 e 300 Mbps. No mínimo, o que ambas as empresas sugerem é uma ligação de 1G e 10G. Trata-se verdadeiramente de uma situação grave. Todos os dias existe congestionamento de tráfego de rede.  

 – Esta situação também influenciou o interesse dos clientes na vossa empresa? 

– C.T.M.: Sim, a CTM diz que este problema é algo normal na indústria, mas ambas as empresas são públicas e, por isso, o Governo, como entidade reguladora, tem alguma responsabilidade. 

 – Pode falar-nos um pouco do vosso sistema de comunicação 5G (5ª geração)? 

– C.T.M.: Em colaboração com o Laboratório de Informática de Nova Geração da Universidade de Ciência Tecnologia de Huazhong, em conjunto com o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia e o Ministério da Ciência e Tecnologia, candidatámo-nos a um apoio de financiamento para a criação de um sinal de comunicação de 5ª geração, onde transmissões de voz são feitas através de fibra ótica. Esta tecnologia já foi testada. A velocidade medida foi de 13,7 GHz, tendo sido assim atingido com sucesso o objetivo de transmissão de 10 GHz numa distância de dois quilómetros. Neste momento estamos na fase de preparação para inspeção e aprovação por parte do Governo. Esperamos que Macau consiga, rapidamente, ter um sistema de comunicação 5G, para que possíveis investidores tenham alguma referência.  

SHAO HUA  29.03.2018

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