A Europa muda o drive: a indústria automóvel aposta nos híbridos e ganham terreno os carros elétricos, com design futurista, sensação desportiva e um discurso imbatível de sustentabilidade. As motorizadas ainda são raras, mas vão vingando as bicicletas elétricas. Mais radical é o “overboard”, que pode dar ao conceito de andar a pé um sentido completamente novo. Quando for leve e versátil, será um must na conjugação com o transporte público. A roda gira depressa e os mercados querem atitude. Ainda é cara, mas a mobilidade elétrica é um dos faróis da modernidade.
A indústria automóvel, mesmo comprometida com o petróleo, anuncia o futuro na gama de luxo. A Jaguar lança este ano o “verdadeiro desportivo”, 100 por cento elétrico, desafiando a Tesla e a BMW; a Mercedes pulveriza o mercado das empresas com uma versão plug-in + híbrido: elétrico enquanto pode, híbrido quando se esgota a autonomia elétrica. O ponto que interessa não é o das marcas, o das isenções fiscais ou o dos rankings de vendas. O que importa aqui reter é que a migração começou; anuncia-se a alta velocidade. A Alemanha assumiu o compromisso: 100 por cento de carros elétricos daqui a 20 anos. Incontornável.
Macau ainda pensa ao contrário. O pensamento não se move, porque não há o hábito de olhar mais longe. Leva mais ou menos tempo, mas o que tem de ser será. E quem mais tarde lá chegar, menos ganha com isso.
Por outro lado, há um negócio real e lucrativo na migração; muitas vezes mal percebido. Migrar significa trocar, substituir, comprar e vender… E a proliferação de novos negócios em torno das tecnologias de ponta, cada vez mais associadas ao ambiente, é o motor mais forte da nova economia. Estar na frente; investir nisso; educar para isso; trabalhar a esse nível de exigência e de competitividade, é a essência da energia diversificação. Macau não sabe mudar. Mas ainda pode aprender.
Paulo Rego