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Presença militar indiana na fronteira chinesa tem o apoio dos EUA?

A transgressão do Exército indiano sobre o território chinês e o subsequente confronto com o Exército chinês já duram há mais de um mês. Apesar das tentativas de persuasão e advertências da China, as tropas não mostram intenções de se retirar. Num período de 24 horas entre os dias 3 e 4 de agosto, seis entidades chinesas, nomeadamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Defesa Nacional, o jornal Diário do Povo, o jornal Diário do Exército de Libertação Popular, a Agência Xinhua e a embaixada da China na Índia emitiram comunicados, referindo de forma aprofundada que estas ações por parte da Índia prejudicam a paz das zonas fronteiriças e violam a soberania da China, afetando também as relações bilaterais. Contudo, o Exército indiano fez ouvidos moucos e manteve-se intransigente, afirmando que iria tomar o lugar do Exército butanês. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que não fez qualquer comentário sobre este confronto, afirmou a 5 de agosto num vídeo que publicou por ocasião da 2ª edição do “Samvad – Iniciativa Global de Prevenção de Conflitos e de Consciência Ambiental” em Rangum, Myanmar, que o diálogo é a única forma de resolver conflitos e divergências e de desfazer preconceitos entre países e sociedades.

Segundo Modi, no século XXI todos os países estão interligados e são interdependentes, enfrentando em conjunto desafios globais como o terrorismo e as alterações climáticas. O primeiro-ministro afirmou estar confiante de ser possível a resolução de problemas no mais antigo diálogo da Ásia. Durante o discurso, Modi louvou o antigo conceito indiano de “Tarka Shastra”, afirmando que este constitui um modelo para a troca de ideias e prevenção de conflitos com base no diálogo.

Neste discurso, Narendra Modi respondeu indiretamente à sugestão da China sobre a possibilidade de resolver os problemas através do diálogo, contudo não aceitou a condição para o diálogo que exigia a retirada das tropas da fronteira. Embora as tropas indianas já tenham sido reduzidas dos iniciais 400 militares para 40, de dois veículos para um, e tenha sido também retirada uma das tendas, as tropas ainda estão em território chinês sem terem efetuado uma retirada completa.

Embora Modi fale em diálogo, o ministro da Defesa da Índia diz que não teme uma guerra com a China. Estas palavras contraditórias serão certamente causadas pelo apoio dos Estados Unidos, pois o Departamento de Estado do país já afirmou apoiar a Índia na adesão ao Conselho de Segurança da ONU, e o Presidente Donald Trump ao encontrar-se com Narendra Modi declarou o seu apoio à inclusão da Índia como sexto membro permanente do Conselho de Segurança. Com base nestas afirmações, a Índia acredita que os Estados Unidos irão realmente prestar apoio ao país, sem imaginar que o apoio verbal do Departamento de Estado e de Trump não passa de palavras ocas. 

É natural que a Índia se queira tornar no sexto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e receber o apoio dos Estados Unidos, mas será a Índia a única nesta posição? Outros países como o Japão, a África do Sul, o Brasil ou mesmo a Alemanha já há muito tiveram esta intenção. Irão os Estados Unidos apenas apoiar a Índia entre todos estes países? 

Além do mais, a adesão de mais um membro permanente ao Conselho de Segurança é um evento de grande magnitude. Bastará apenas o peso da palavra norte-americana? Se a Índia pensa realmente assim, está a ser muito ingénua. Modi deveria abandonar estas fantasias e procurar uma forma de retirar o mais cedo possível as tropas da fronteira, de forma a evitar que o incidente se arraste por mais tempo, pois a guerra de desgaste é o forte da China.  

DAVID Chan 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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