A forte determinação espacial da China - Plataforma Media

A forte determinação espacial da China

Cerca das 20h de 2 de julho, entre vários relatos noticiosos uma notícia em particular da Agência Xinhua captou a minha atenção: “Às 19 horas e 23 minutos do dia 2 de julho, ocorreu uma anomalia durante o lançamento do foguetão Longa Marcha 5 Y2 no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, resultando num lançamento malsucedido. Serão realizadas investigações por profissionais para averiguar as causas do incidente.”

Esta curta notícia surgiu numa altura em que a maioria dos meios de comunicação estava a relatar a presença de Xi Jinping na cerimónia dos vinte anos da criação da Região Administrativa Especial de Hong Kong e o 5º mandato do Governo dessa região, que atraiam particularmente a atenção.

Nos últimos anos o setor espacial tem registado um desenvolvimento substancial na China, ocorrendo regularmente o lançamento de satélites e foguetões. São já inúmeros os vários tipos de satélites chineses em órbita na Terra, incluindo até uma estação espacial em funcionamento. Em particular, nos últimos anos as notícias relativas às atividades espaciais da China têm sido maioritariamente positivas, incluindo notícias sobre as missões Shenzhou, Tiangong ou Chang’e. Por essa razão, a recente notícia negativa não pôde deixar de causar algum desgosto às pessoas.

Não foi fácil à China alcançar as conquistas das últimas décadas no domínio espacial, exigindo os esforços árduos de várias gerações de chineses, algo digno de louvar e admirar. O espírito espacial da China, trabalhando incansavelmente, avançando de forma tenaz e seguindo a inovação e cooperação, já se tornou numa parte integrante do espírito chinês, incentivando a continuação dos esforços para o futuro da atividade espacial do país.

Já passou mais de meio século desde que a humanidade deu início à exploração espacial (com o astronauta Yuri Gagarin da União Soviética), mas entre estes marcos históricos existem sempre alguns casos de lançamentos malsucedidos. Estes insucessos são desapontantes, mas mostram que o caminho para o espaço não é uma jornada fácil, e mesmo os Estados Unidos e a Rússia, dois veteranos da indústria espacial, dificilmente conseguem evitar estes imprevistos.

Em 2015 os Estados Unidos tiveram três lançamentos de foguetões malsucedidos, em particular o lançamento do Falcon 9 a 28 de junho, que explodiu e se desintegrou dois minutos depois do levantamento. Ocorreu também uma explosão em janeiro deste ano, devido a problemas no ângulo de aterragem de um foguetão, e dois meses depois um outro explodiu devido a problemas no propulsor. Também a Rússia teve alguns insucessos a marcar a sua longa história espacial, incluindo um triste incidente no lançamento do foguetão Proton-M. Os insucessos no lançamento de voos tripulados são ainda mais preocupantes, tendo como exemplos os lançamentos dos vaivéns espaciais norte-americanos Challenger e Columbia, cujas mortes marcaram capítulos dolorosos na história espacial da humanidade.

O recente insucesso no lançamento do foguetão Longa Marcha 5, conhecido como o “Gordo 5”, com certeza não irá impedir futuros desenvolvimentos espaciais por parte da China. Já em 1995 e 1996 foram sofridas desilusões semelhantes, e o país aprendeu com os erros e rapidamente voltou a seguir em frente, trazendo as extraordinárias conquistas espaciais a que assistimos nos últimos anos. Atualmente a exploração lunar e espacial da China, assim como o seu sonho para o futuro, estão a avançar de forma firme. Todos os lançamentos são um passo firme rumo ao sucesso, e embora o recente incidente seja de lamentar devo louvar todos aqueles que fazem parte da indústria espacial da China devido à sua determinação e perseverança face ao insucesso. Força! 

David Chan

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter