Abre-se um novo capítulo para as relações sino-americanas

por Arsenio Reis

O Presidente Xi Jinping e o Presidente Trump traçaram um trajeto claro para o futuro desenvolvimento das relações bilaterais e sobre a forma de abordar grandes desafios que afetam o mundo durante os seus primeiros encontros formais em Mar-a-Lago na Flórida.

Os encontros dos dois líderes abrem um novo capítulo nas relações bilaterais, particularmente numa altura em que a globalização enfrenta mais incertezas.

O encontro cara-a-cara foi chamado de “uma cimeira do novo século”, já que a China e os Estados Unidos formaram efetivamente as mais importantes comunidades de interesse do mundo, e por isso o destino dos dois países está intimamente interligado.

Os diálogos filosóficos e as profundas interações cara-a-cara entre os dois presidentes em Mar-a-Lago ajudaram a dar o tom certo para futuras relações bilaterais.

Para sumarizar o encontro em Mar-a-Lago, é importante seguir os seguintes pontos:

1 O consenso estratégico de “coexistência pacífica, competição pacífica e cooperação mutuamente benéfica” reconfirmado pela China e pelos Estados Unidos estabeleceu as diretrizes e formou uma base sólida para as suas relações saudáveis e estáveis nos próximos 4 ou 8 anos. Tal como o presidente Xi Jinping manifestou várias vezes, o Oceano Pacífico é grande o suficiente para tanto a China como os Estados Unidos seguirem o seu desenvolvimento.

A reconfirmação da orientação estratégica de cada um é indubitavelmente crucial para manter as relações bilaterais equilibradas e expandir a cooperação na governação global, o que irá ter um impacto positivo na ordem internacional emergente a ser moldada na primeira metade do novo século.

Uma vez que a administração de Trump colocou “incerteza e imprevisibilidade” na sua política externa, é efetivamente positivo quebrar esta “maldição” injetando mais previsibilidade e certeza nas relações sino-americanas.

Este encontro bem-sucedido lançou luz sobre as relações sino-americanas com uma grande dose de “previsibilidade e certeza”. Agora as duas partes criaram um vasto mecanismo de diálogo para manter relações estáveis e melhorar a cooperação futura.

2 O consenso alcançado entre a China e os Estados Unidos sobre nova cooperação no comércio e investimento não só irá mitigar os atritos ou guerras comerciais mas também irá beneficiar as duas economias gigantes e o mundo.

Em 2016, o comércio bilateral de bens entre a China e os Estados Unidos alcançou 519,6 mil milhões de dólares, o comércio de serviço ultrapassou os 110 mil milhões, e o investimento bilateral acumulado ultrapassou os 170 mil milhões. Vinte e seis por cento dos aviões Boeing exportados, 56 por cento dos grãos de soja exportados, 16 por cento dos automóveis exportados e 15 por cento dos circuitos integrados foram para a China. Por isso, a China e os Estados Unidos formaram padrões económicos altamente integrados.

As trocas entre os dois povos têm sido modernizadas cada vez mais todos os anos. Em média, 14.000 pessoas viajam entre a China e os Estados Unidos todos os dias: a cada 17 minutos há um voo a partir ou aterrar entre os dois países. Mais de 300.000 estudantes chineses estão a estudar nos Estados Unidos, representando mais de um terço de todos os alunos estrangeiros no país.

3 “A América primeiro” não equivale a “a China por último”.

“A América primeiro” na verdade não está em conflito com a cooperação económica e comercial China-EUA. Objetivamente falando, o caminho eficaz para “a América primeiro” será provavelmente alcançado através de “Pequim”.

Da mesma forma, o grande rejuvenescimento da nação chinesa é também inseparável de um ambiente internacional amigável e favorável onde os Estados Unidos são um elemento-chave.

Os Estados Unidos devem estar determinados em adotar uma abordagem de cooperação mutuamente benéfica com a China e eliminar a influência da geopolítica extrema. Seja por que razão for, os conflitos ou guerras comerciais apenas causarão perdas a ambas as partes e não resultarão num vencedor.

4 No que diz respeito à segurança na Ásia-Pacífico, particularmente no Leste Asiático, o consenso e cooperação entre os Estados Unidos e a China é de grande importância, o que está obviamente de acordo com os interesses comuns de ambos os países.

Se os Estados Unidos continuarem a sua chamada estratégia de “equilíbrio offshore” incitada pelo neo-conservadorismo e aumentarem a dissuasão militar sobre a China, os interesses de segurança das duas nações serão prejudicados.

Atualmente, os Estados Unidos e a China devem insistir particularmente na negociação e cooperação para resolver a questão nuclear da Península Coreana e trabalhar juntos para resolver a crise de uma forma pacífica.

Algumas sugestões realistas propostas pela China, como a “proposta de suspensão paralela”, devem receber toda a atenção das partes interessadas.

A China opõe-se à nuclearização e a qualquer guerra na Península Coreana, e acreditamos que isto também está em consonância com os interesses dos Estados Unidos e de outros países na região.

Como estado extraterritorial que possui interesses vitais no Leste Asiático, os Estados Unidos devem reconhecer a tendência deste período enquanto reavaliam a sua estratégia na Ásia-Pacífico e a sua Política para a China.

Foi traçado o plano e determinada a rota. Existem muitas oportunidades e enorme potencial para a cooperação sino-americana, o que irá finalmente concretizar o consenso de dois presidentes e elevar as relações China-EUA a um novo nível. 

He Yafei*

*O autor é copresidente do Centro para a China e Globalização e ex-ministro adjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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