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O espectro da guerra

A Europa continua perdida em busca de saídas para a crise económica que parece condená-la à irrelevância política. O controlo do défice, apresentado como solução mágica para os mais fracos, estagna a economia e deprime os investimentos. Nos Estados Unidos, o discurso radical de Trump parece convencer os mercados e a expectativa nas bolsas. O problema é que traz consigo o fantasma da guerra, que hoje é mais real do que fictícia.

Cercar a Coreia do Norte, antes ou depois do bombardeamento da Síria faz toda a diferença. Porque o mundo agora sabe que o Presidente norte-americano não se limita a apontar os canhões; dá mesmo ordem para disparar. Resta saber se os novos falcões de Washington percebem a relação histórica entre a aparente loucura de Pyongyang e o pragmatismo de Pequim. As divergências assumidas por Xi Jinping não significam que a China possa admitir uma intervenção militar norte-americana, seja de que calibre for. E qualquer conflito que arraste a China será o fim do mundo tal como o conhecemos. Trump sabe disso. Aquele ar tresloucado não significa ignorância. É um estilo de fazer política: hard power, a ver se mina o soft power que caracteriza a postura internacional de Pequim.

O think-tank de Trump recupera uma velha ideia da extrema direita republicana: o eixo do mal, que naquelas cabeças justifica investimentos militares sem fim e o domínio da economia mundial por imposição da força. Estando mais frágil do que nunca, a Europa é incapaz de oferecer uma almofada de segurança. Os investimentos chineses, bem como o discurso de Xi Jinping, oferecendo-se como paladino da conciliação, não travam Washington. Pelo contrário, acicatam a Casa Branca. 

Trump precisa de uma guerra. Por um lado, para estimular a economia; por outro, para pacificar as tensões internas. Mais ninguém precisa dela. Pequim não a quer, mas a defesa da sua face também não permite que a pressão sobre a Coreia do Norte ultrapasse os limites do discurso. Mais ninguém precisa de uma guerra. Contudo, a hipótese é mais real do que parece. Talvez seja preciso voltar a uma nova guerra fria. Trump tem de sentir que terá resposta dura se pisar o risco vermelho. O medo que ele impõe precisa de espelho. O homem não vai lá com falinhas mansas. É preciso contê-lo, custe o que custar. 

Paulo Rego 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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