WikiLeaks revela lado negro da CIA

por Arsenio Reis

Recentemente, a WikiLeaks revelou novamente um conjunto de documentos secretos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), expondo todas as desconhecidas ações perversas e criminais da agência por todo o mundo. As ações reveladas nesta série de documentos classificados, apelidada de “Vault 7”, foram descritas como os maiores segredos da história da CIA, incluindo planos de ataques cibernéticos por todo o mundo. Os documentos contêm 7,818 páginas web e 943 anexos, e os seus conteúdos incluem o uso de Smart Tvs da Samsung como aparelhos de escuta mesmo enquanto desligadas, o uso de ‘malware’ escondido em microchips e vulnerabilidades ‘zero day’ que permitem a hackers lançar vírus que recolhem informação e monitorizam milhares de milhões de pessoas por todo o mundo. Existem ainda os sistemas de controlo de veículos, que podem ser usados para conduzir de forma remota um veículo e usá-lo para fins de assassinato. Perante a exposição pela WikiLeaks do que são considerados os maiores segredos da CIA, alguns analistas acreditam que a agência terá de enfrentar duas situações. A primeira é que uma vez que as suas anteriores formas de monitorização foram reveladas, os alvos da monitorização irão alterar os seus hábitos de forma a escapar à supervisão, e a CIA terá de encontrar novos métodos se quiser continuar a efetuar tais operações. A segunda situação é que anteriormente era a CIA quem monitorizava terceiros e acedia a computadores alheios, mas desta vez foram terceiros (a WikiLeaks, neste caso) que acederam a informações da CIA, revelando-as depois ao público, constituindo uma enorme humilhação para a agência.

Alguns documentos da WikiLeaks descreviam o uso da língua chinesa para atirar as culpas para cima da China. No passado, os Estados Unidos alegaram frequentemente terem sido alvo de ataques cibernéticos da China, mas se olharmos para as informações da WikiLeaks, trata-se de um caso de “ladrão a alegar ser roubado”, uma forma de incriminação maliciosa. A WikiLeaks revelou o seu processo, que consiste na tradução do inglês norte-americano para línguas como o chinês, o árabe ou o russo, usando as línguas de outros países para desviar a direção das investigações e levando as pessoas a pensar erroneamente que se tratam de ações da China, Rússia ou outros países. Isto faz parte da estratégia frequentemente usada pela CIA de “sujar as mãos dos outros”, sendo que depois a agência ainda berra acusações de hacking contra a China, deixando o país sem maneira de se defender e colocando os Estados Unidos em terreno de vantagem no que diz respeito às questões de segurança cibernética.

Os Estados Unidos estabeleceram-se como um país-líder depois da Segunda Guerra Mundial, sendo até o país considerado um império dos tempos modernos. Contudo, sabemos que a hegemonia norte-americana não foi, como o país alega, feita à base da democracia, desenvolvimento económico ou apoio humanitário, e por detrás de tudo estão dois métodos extremamente importantes. O primeiro é o método militar. No período da Guerra Fria depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos usaram a intervenção militar para derrubar muitos regimes que não lhes agradavam, ou para erradicar forças que consideravam prejudiciais às estratégias e interesses do país. O outro método de manter a hegemonia norte-americana é a guerra da espionagem. As atividades de recolha e destruição de informação da CIA no estrangeiro já levaram alguns jornalistas norte-americanos a considerar que a CIA é já uma agência militarizada, pois não só se envolve em atividades de reconhecimento mas também em missões militares e de combate. Este é um importante método dos Estados Unidos para manter firme e inabalável a sua hegemonia.

A CIA tem rastos de atividade em todo o mundo, atividades essas que vão para além do reconhecimento em força. Para além da sua monitorização da América Central e do Sul, as revelações da WikiLeaks também expuseram que a agência criou nos anos 1960 um campo de treino no Laos destinado aos nativos do país, militarizando-os e fornecendo-lhes armas. As bombas lançadas contra os vietnamitas e comunistas no Laos, fazendo uso destes nativos, ultrapassaram o número de bombas lançadas no país na Segunda Guerra Mundial, causando também um maior número de mortes. Pelo que é possível verificar a partir dos dados da WikiLeaks, desde a Segunda Guerra Mundial até hoje, a CIA não cessou em qualquer momento as suas atividades globais de espionagem, destruição e até operações militares. Com a contínua revelação de tal conduta, é exposta perante todos a verdadeira face dos Estados Unidos. Na realidade, o desenvolvimento da espionagem política e militar da CIA em todo o mundo desempenha o papel de atiçar as chamas da instabilidade e desordem.

DAVID Chan

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