O terrorismo é estúpido e inútil

por Arsenio Reis

Este último atentado em Londres é apenas mais um que prova como a segurança é um bem escasso que tende a desaparecer. Por mais apertado que seja o controlo, por mais direitos que caiam por terra, por muito que se vigiem emails, telefones, vidas inteiras… o novo terrorismo vai crescer; já faz parte da vida urbana globalizada. Não se pode controlar todo e qualquer rato enraivecido, armado até aos dentes, que saia da toca disparando contra tudo o que mexe. Seja qual for a cor, a idade e o perfil das vítimas.

Quem vive em Macau perde a noção do real. Olhando para as sobretaxas do turismo, as fronteiras abertas, a mistura de credos, raças e origens… ou para para a organização das seitas e a indústria do jogo, antevê um cocktail explosivo de violência ao velho estilo do feudalismo chinês. Mas nada disso se passa. É um luxo com o qual se vive sem reparar. Em Macau, os miúdos andam na rua, a qualquer hora e logo em tenra idade. Mas um francês, um inglês ou um alemão pensam hoje duas vezes no transporte público ou em eventos superpovoados. O Estado Islâmico fere um bem civilizacional cujo valor é tão grande quanto é difícil de medir.

Morrer sentado num café, a passear na rua ou em qualquer teatro da modernidade, baleado por um tresloucado ou atropelado por um camião assassino, é hoje tão provável como sofrer um acidente ou cair face à doença. Não é fácil de encaixar, mas vivemos essa realidade, como com as catástrofes naturais, as mutações dos vírus ou o assassinato do próprio planeta. Nada o terrorismo vai mudar. Mais gente vai morrer, milhares de milhões serão gastos em segurança, a privacidade agoniza e está tudo debaixo de olho. Contudo, na sua essência o terrorismo falhará os seus objetivos políticos e económicos.

Nesse caso, continuar para quê?, pensaria um terrorista capaz de pensar. Mas não consegue. Tolhido pelo dogma, cego pela tese de que o outro, não sendo igual a si, merece o pior fanatismo, não percebe que o horror que espalha, bem como o seu próprio sacrifício, não fazem sentido nem levam a lado algum. 

No fundo, é uma das contradições essenciais do Homem: o único animal que pensa, e o único tão estúpido que ninguém percebe o que pensa. 

Paulo Rego  

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