Segundo o jornal Kyiv Post, que cita o movimento partidário Atesh e relatos de meios de comunicação locais russos, os principais alvos destas ações são cidadãos com dívidas elevadas e antigos reclusos sujeitos a supervisão administrativa.
De acordo com o Atesh, Moscovo terá emitido orientações rigorosas às autoridades regionais para reforçar o recrutamento de soldados contratados. Nas zonas onde as quotas não estão a ser cumpridas, os serviços de registo militar, em articulação com as forças de segurança, terão intensificado rusgas em espaços públicos e operações de rua.
O movimento denuncia que homens com dívidas registadas em bases de dados de oficiais de justiça, bem como ex-reclusos, estão a ser particularmente visados por serem considerados mais fáceis de intimidar ou pressionar, inclusive com ameaças de novos processos criminais. Relatos recolhidos localmente apontam para detenções em massa e pressão direta para a assinatura de contratos com o Exército russo.
A intensificação destas ações é atribuída às elevadas perdas russas no campo de batalha e à crescente dificuldade em substituir efetivos. Segundo o movimento, o atual ritmo de recrutamento voluntário já não será suficiente para compensar as baixas sofridas pelas forças russas na Ucrânia.
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“Se tentarem forçá-lo a entrar no Exército desta forma, não assine nada sob ameaça e saia do país à primeira oportunidade”, apelou o Atesh numa mensagem dirigida a potenciais alvos das rusgas. As denúncias surgem na sequência de relatos anteriores de mobilização forçada na região de Penza. Meios locais noticiaram alegados raptos, casos de violência e situações em que moradores tentaram impedir que homens fossem levados.
Segundo testemunhos recolhidos por órgãos de comunicação social regionais, equipas de recrutamento circularão à noite em carrinhas e posicionar-se-ão junto a lojas de bebidas alcoólicas, à procura de pessoas consideradas mais fáceis de pressionar.
Na passada semana, a Guarda Nacional russa anunciou uma operação para identificar infratores das regras de registo militar, descrevendo-a como uma ação de rotina. O comissário militar regional de Penza, Andrey Surkov, confirmou a realização de operações de rua, mas negou que estas tenham como objetivo forçar o alistamento por contrato, insistindo que o processo continua a ser voluntário.
Apesar das garantias oficiais, moradores locais criaram canais nas redes sociais para acompanhar as rusgas e partilhar informação em tempo real. Em alguns vídeos divulgados, é possível ver confrontos verbais entre civis e agentes junto a viaturas utilizadas nas operações.