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Laços através de meio século

Realizou-se recentemente mais um encontro organizado pelo Conselho das Comunidades Macaenses. O Chefe do Executivo Fernando Chui Sai-on encontrou-se com o presidente do conselho geral do Conselho das Comunidades Macaenses, Leonel Alberto Alves, com o presidente do conselho permanente, José Luis de Sales Marques, assim como com representantes da Casa de Macau de diversos locais. Chui Sai-on afirmou que as comunidades macaenses, quer em Macau quer no estrangeiro, constituem uma parte importante da RAE. O Chefe do Executivo expressou a esperança de que esta comunidade, assim como os seus encontros em Macau, perdurem ao longo dos tempos.

Este evento foi criado pelo Conselho das Comunidades Macaenses e reúne macaenses de todo o mundo através da organização “Casa de Macau”. A presente edição reuniu não só luso-descendentes mas também muitos sino-descendentes, alguns dos quais deixaram Macau há cerca de 50 anos atrás devido a um “incidente infeliz” que teve lugar há meio século.

Amanhã é sábado, e o “incidente infeliz” de há cinquenta anos atrás também ocorreu neste dia da semana. O elemento catalisador surgiu no dia 15 de novembro de 1966, com a construção da Escola Fong Chong da Taipa, e o “infeliz” incidente resultante teve lugar no dia 3 de dezembro, num sábado. Neste período houve lei marcial, recolher obrigatório, protestos, marchas, contestações e até a “política dos três nãos”. Apenas mais de um mês depois se pôde dar o incidente como terminado, após um pedido de desculpas por parte do governo português de Macau.

O incidente causou um grande impacto na economia de Macau e na ordem social, fazendo com que muitos cidadãos de Macau (incluindo macaenses luso e sino-descendentes) partissem definitivamente para o estrangeiro. A maior parte dos luso-descendentes foi para Portugal, Brasil e Estados Unidos, com bastantes outros espalhados pela Austrália e Europa. Estes macaenses, embora longe, não se esqueceram da terra que os viu crescer, e criaram em vários países a organização Casa de Macau como forma de unir os macaenses espalhados por todo o mundo. Depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e Portugal, estes mantiveram contacto com Macau, e com o próspero crescimento político, económico, social, médico e do ensino no seguimento da transferência de soberania, assim como todo o desenvolvimento resultante do setor do jogo, os macaenses residentes no estrangeiro têm na última dezena de anos revisitado Macau para vislumbrar as suas mudanças.

Entre a sociedade chinesa de Macau, o termo “macaense” refere-se normalmente aos luso-descendentes nascidos em Macau, e não aos de descendência chinesa. Muitos deles não só herdaram a cultura portuguesa como também entendem os costumes e língua da sociedade chinesa em Macau (alguns falando não só cantonês mas também mandarim), para além da língua inglesa, espanhola ou francesa, sendo verdadeiros talentos poliglotas. Numa altura em que Macau se desenvolve no sentido de se tornar num centro internacional de turismo e lazer, assim como uma plataforma de cooperação comercial entre a China e países lusófonos, estes macaenses possuem um grande espaço e oportunidade para crescer. Com este regresso de um grande número de macaenses para a ocasião do atual encontro, o governo da RAE deveria pensar em formas de lhes dar a conhecer os futuros desenvolvimentos e oportunidades em Macau. 

DAVID Chan

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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