O papel da China no G20 evoluiu enormemente desde o despoletar da crise financeira global em 2008. Após ver outras economias assumirem a presidência do G20 durante cinco anos, a China fez a sua candidatura em 2014 e foi escolhida para presidir a Reunião de Líderes do G20 em 2016. Mas terá a presidência chegado à China demasiado tarde para a sua agenda de globalização?
No outono de 2008, quando o sistema financeiro global estava em queda livre, a China entrou em cena para desempenhar um papel importante juntamente com as outras economias líderes durante a então jovem Reunião de Líderes do G20 em Washington em novembro de 2008, e durante a reunião seguinte em Londres em abril de 2009. Mas apesar dos esforços da China para estabilizar a economia mundial, as potências tradicionais não se ofereceram para partilhar as responsabilidades globais com o país.
A China cooperou com outras economias importantes para enviar os sinais certos aos mercados financeiros globais. Mas assim que se restaurou um sentido de ordem em 2009, as principais potências mundiais regressaram às suas posições anteriores.
Os países do G7 tentaram restabelecer a sua influência global no ápice do sistema global, embora a China se tenha abstido de assumir a liderança do G20 nessa altura.
Em vez disso, a China orientou a sua diplomacia para a criação de um novo grupo, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que se tornou o BRICS quando a África do Sul se juntou em 2011.
A China também voltou a sua atenção diplomática para apoiar alguns mecanismos de cooperação regional dentro da Ásia, como parte do grupo ASEAN+3 (China, Japão, e República da Coreia). Apenas na Reunião do G20 de Seul em novembro de 2010 foi interrompido o padrão dominante de nações do G7/8 a presidir o G20.
Ao longo deste período, a China assistiu enquanto outros países correram atrás da presidência da Reunião do G20. Até recentemente, as autoridades chinesas viam o G20 como pouco mais do que uma plataforma ad hoc informal, embora útil, para gestão de crises económicas globais. Ao mesmo tempo, o G20 teve dificuldade em demonstrar o seu valor acrescentado após as cimeiras iniciais.
Como presidente da Reunião do G20 deste ano, a China tenciona criar novas fontes de crescimento para a economia global, evitar o protecionismo nas economias-chave e desenvolver o próprio G20 como plataforma de governação global.
Esperamos que a Reunião do G20 em Hangzhou, na província de Zhejiang do leste da China, seja um sucesso. Mas se a principal ambição da cimeira é a de salvar a globalização, poderá ser demasiado tarde.
A ascensão do populismo e protecionismo nas economias avançadas, assim como a vasta onda de raiva socioeconómica egocêntrica que alimentou o voto do Brexit, são os mais recentes sinais de que já não existe um amplo apoio do público à anterior agenda de globalização, particularmente se isso implicar também volatilidade e instabilidade financeira.
Então onde é que fica a China como presidente do G20 e anfitriã da reunião deste ano? A quem poderá recorrer a China enquanto tenta afastar o protecionismo fazendo uso, para não falar da promoção, da agenda de abertura económica e integração a nível global?
Excetuando a índia, os parceiros da China do BRICS estão em modo de recuperação ou re-estabilização. O crescimento na Ásia permanece estável, mas, sozinhos, os membros asiáticos do G20 não são suficientes para formar uma coligação, sobretudo porque o Japão permanece em oposição aos esforços realizados pela China e possui fortes dúvidas em relação ao G20.
O crescimento da China desacelerou, embora permaneça estável. Onde mais existe apetite pelo avanço da abertura e integração globais senão na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico?
O desafio da China é que o país assumiu a presidência do G20 numa altura em que a anterior agenda de globalização chegou ao fim. Numa escala global, a perceção e realidade para muitos é de que os benefícios já não ultrapassam os aspetos negativos.
É necessária uma nova agenda económica global. Logo, a China agiria.
Gregory Chin e Hugo Dobson